sexta-feira, 13 de abril de 2018

Negligenciar o "Espírito da Profecia" é negar a nossa identidade

Em meio a tantas igrejas, seitas e denominações religiosas, é fácil encontrar um ponto em comum em várias delas: um evangelho focado em adaptar os conceitos e ensinamentos bíblicos para uma apresentação de uma vida melhor, feliz e motivada aqui na Terra. O céu, esse lugar outrora almejado com todas as forças, parece estar em um futuro distante, uma utopia mais próxima até de quem está perto da morte do que daqueles que gozam de boa saúde e uma vida dita “plena”.

Neste mar de denominações, é perceptível e compreensível que as mesmas busquem “diferenciais” para atrair fiéis. Cultos mais light, música distinta, doutrinas flexíveis, entre outros itens, tem conseguido conquistar público, principalmente neste contexto que alguns teimam em chamar de “pós-modernismo”.

Não. Esse texto não vai falar sobre os métodos e formas de se fazer evangelismo ou de se montar doxologias. Vamos falar de nós e do nosso diferencial. A Igreja Adventista, durante muito tempo, apresentou o estudo minucioso do aspecto profético como um de seus grandes diferenciais. Muito do reconhecimento como “povo da Bíblia” era pelo profundo conhecimento que tínhamos das profecias.

Éramos apaixonados por isso. Desde a doutrina do santuário (ao meu ver, nosso grande diferencial, se você estava curioso em saber qual a minha opinião), passando pelas profecias de Daniel e Apocalipse, era um prazer falar sobre o tema e, principalmente, ouvir sobre ele. Sob a luz dos escritos de Ellen White, tudo fazia ainda mais sentido. E a série Conflito dos Séculos era uma leitura aprazível.

O que aconteceu com o tema da profecia dentro de nossas igrejas?
Por que quase não vemos abordagens sobre o assunto nos sermões, em cultos jovem, nas escolas sabatinas, nos pequenos grupos? Sim, em reuniões regulares da Igreja, não digo em eventos especiais. Vejo esforços para eventos específicos que falam sobre o tema, mas isso não basta, ao meu ver. Se este é o nosso diferencial, o trabalho deve ser feito na base.

Uma de minhas lembranças mais carinhosas é a de, durante minha infância e adolescência, ir com meu pai aos cursos de Daniel e Apocalipse que ele ministrava a interessados. Ver aqueles rostos empolgados e famintos por saber mais era uma coisa muito tocante. Todos com suas Bíblias e seus fascículos de “Revelações do Apocalipse”, de Daniel Belvedere. Sermões sobre o tema também eram frequentes. Era um momento gostoso de se viver.

O “Espírito da profecia” vai além da revelação da luz menor de Ellen White, que nos ajuda a enxergar melhor o que Deus quis nos dizer. Mas também é dar testemunho sobre isso, falar ao mundo! Como diz Apocalipse 19:10, “o testemunho de Jesus é o Espírito da Profecia”. Por que não continuamos a testemunhar com a mesma intensidade daqueles tempos em que éramos conhecidos por isso?

Não podemos esquecer do nosso maior diferencial. Negligenciar o “Espírito da profecia” em sua plenitude, que envolve testemunhar com todas as forças sobre isso, é negligenciar nossa identidade. Fazer isso é se tornar uma igreja genérica. E ninguém gosta de comprar produtos genéricos, que não apresentem qualidade superior e valor agregado que possam fazê-las mudar suas vidas pra melhor. Não somos e não podemos ser genéricos. Nós temos um grande diferencial!

Fábio Bérgamo (via Marcas & Marcas) (Título original: Diferencial adormecido?)

Um comentário:

  1. "alguns teimam em chamar de “pós-modernismo”.
    o que o autor quis dizer?

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