quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Morte de Elvis Presley completa 40 anos - Elvis e o Gospel

No dia em que a morte de Elvis Presley completa 40 anos, fãs e crítica relembram as principais marcas que Elvis teria deixado na música e na cultura do século XX. Mas eu gostaria de lembrar aqui uma faceta do “rei do rock” bem menos conhecida que seus filmes em Acapulco, suas canções românticas ou a proibição de filmar os seus rebolantes quadris no programa de TV de Ed Sullivan no início da carreira. Aliás, os requebros da “pélvis de Elvis” foram um fator nada descartável para sua ascensão meteórica. A voz absolutamente marcante, os cabelos cuidadosamente desalinhados, o repertório quase recatado se comparado à fúria libidinal das canções de Jerry Lee Lewis e Little Richards, quase tudo seguia uma construção publicitária perfeita comandada pelo “Coronel” Tom Parker, como apelidavam o empresário de Elvis.

Os americanos sempre demonstraram afinidade com o gospel gravado por artistas não-religiosos. Por exemplo, nos anos 1950, Tennessee Ernie Ford gravou álbuns que estão entre os dez mais vendidos da década. Mas Elvis revelava também seu gosto pela música gospel. E talvez houvesse nisso mais do que ambição de vender para outro nicho de mercado. Para Don Cusic, autor do livro The Sound of Light: a history of gospel music, Elvis tinha ouvido muita música gospel - na igreja ou em casa com a mãe – e, ao cantar aquelas músicas, ele não cumpria só um dever espiritual, mas também revivia a infância. Talvez, diz Cusic, Elvis estivesse mostrando que era um bom garoto, temia a Deus (à sua maneira) e queria salvação.

Em 1952, quando ainda era um jovem motorista de caminhão, Elvis fez um teste vocal para entrar no quarteto Songfellows e foi reprovado. Mais tarde, Jim Hammil, um dos componentes “acusados” de dispensar Elvis Presley, deu sua versão dos fatos: “Eu não disse que ele não sabia cantar, mas sim que ele não conseguia ouvir a harmonia. Sozinho, ele se saía bem. Mas quando as outras vozes do quarteto entravam, ele se perdia e cantava as outras vozes que ouvia”. (Em geral, a formação vocal de um quarteto masculino é de 1º e 2º tenores, barítono e baixo).

Elvis ainda não era famoso quando encontrou o quarteto The Jordanaires no Grand Ole Opry, em 1955. O quarteto havia surgido em 1948 e só conservava um integrante da formação original, o 1º tenor Gordon Stoker. As primeiras gravações de Elvis nos estúdios da RCA têm um vocal de apoio formado, entre outros, por Stoker e Ben e Brock Speer, da Speer Family, famosa família de cantores. Mais tarde, a formação completa dos Jordanaires marcaria o som dos discos de Elvis, que passava a vender 10 milhões de discos e se tornava um ídolo teen e um ícone cultural.

Os primeiros álbuns gospel de Elvis chegariam a partir de 1957, no auge da carreira no rock, quando era inimigo dos pregadores. Primeiro, a gravação de Peace in the Valley, e depois o disco His Hand in Mine. Esse disco tinha os Jordanaires no vocal de apoio e entre as faixas estavam músicas como Swing low, Sweet chariot e Mansion over the hilltop (em português, é a conhecida Mansão sobre o monte). A capa desse álbum trazia um Elvis Presley sentado ao piano num sóbrio smoking, de cabelo grande e roupas brilhantes. O figurino e o penteado, porém, não eram uma afronta ao estilo religioso. Pelo menos, não ao estilo de certos cantores e pastores evangélicos da época. James Brown, por exemplo, explicava que seu estilo inconfundível de se movimentar no palco, falar e cantar, era influência de pregadores, digamos, hiperativos.

A voz de Elvis também recebeu grande influência do gospel. Certa vez, o cantor escutava um disco de Jake Hess, um dos grandes nomes da música gospel, quando revelou a Johnny Rivers algo como “agora você sabe de onde vem o meu estilo de cantar”.

Em 1967, Elvis convidou os quartetos The Imperials e The Jordanaires e também algumas cantoras para o vocal do seu disco gospel de maior resposta positiva de público e crítica, How Great Thou Art. Além da clássica faixa-título (no Brasil é conhecida como Quão grande és Tu), já famosa na voz de George Beverly Shea, o disco trazia Where could I go but to the Lord, In the garden (No jardim) e Where no one stands alone (Minha mão em Tua mão). Nesse disco, Elvis faz um dueto com Jake Hess na música If the Lord wasn’t walking by my side, conhecida música do quarteto The Statesmen, do qual Jake Hess já tinha sido integrante.

He Touched Me é o álbum gospel de 1972 que traz a clássica Amazing grace (Graça excelsa) e a canção-título (Tocou-me), de autoria do casal Bill e Gloria Gaither.

A partir de 1969, o quarteto The Stamps passou a abrir os shows de Elvis. J. D. Sumner, membro do quarteto, conta que após os shows Elvis reunia os cantores para cantar gospel. Frequentador da casa de Elvis, Sumner também diz que o cantor “só ouvia gospel. Ele não ouvia nem suas próprias gravações”.

No funeral de Elvis, em agosto de 77, Jake Hess e dois integrantes do quarteto The Statesmen cantaram Known only to Him, Kate Westmoreland cantou My heavenly Father watches over me, e James Blackwood e The Stamps cantaram How great Thou art. O final trágico do cantor e suas gravações ora religiosas ora seculares podem traduzir que, de algum modo, Elvis Presley não conseguiu conciliar sua vida de sucesso fabuloso com as crenças de sua juventude. Mesmo assim, para Don Cusic, a maior contribuição de Elvis ao gospel foi apresentar esse estilo ao mundo do rock.

* Os títulos em português e entre parênteses mencionados no texto foram extraídos do Hinário Adventista (CPB).

Joêzer Mendonça (via Nota na Pauta) (Título original: Élvis e o Gospel - Élvis além da pélvis)

Duas mulheres

"As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é agradável." (Provérbios 9:17)

A mente do homem que não anda nos caminhos de Deus trabalha de um modo estranho. Busca prazer e encontra dor, corre atrás da alegria e só acha tristeza. Ele pensa que as coisas são agradáveis unicamente quando trazem o sabor do proibido. As águas, para serem doces, precisam ser roubadas; e o pão, para ser agradável, deve ser comido às ocultas.

O proibido, no entanto, é como o cavalo de Tróia: deslumbrante, massageia o ego, inflama as paixões humanas. Só que, ocultas dentro dele, estão a vergonha, a miséria e a morte.

No capítulo nove do livro de Provérbios, encontramos duas mulheres à beira do caminho disputando a atenção dos homens. É uma alegoria da sabedoria e da insensatez. A primeira convida as pessoas para a vida. O segredo da vida consiste em andar nos caminhos estabelecidos por Deus.

A segunda é a mulher louca ou insensata. Ela também convida as pessoas, oferecendo águas roubadas e pão comido às ocultas. Água é sinônimo de vida. O deserto é terra de morte porque não tem água. A semente brota por causa da água. Os campos florescem porque recebem água. A mulher louca oferece água. Água roubada. Vida roubada não é vida. Prazer roubado não é prazer. Felicidade “desfrutada às ocultas”, não é felicidade.

A criatura descobre isso com dor. Quando já é tarde. Quando a família foi destruída, a dignidade enxovalhada e os valores deteriorados.

O pão é alimentação básica e indispensável; não envolve nada de extravagância nem luxo. Quando é comido às ocultas, pode ser agradável na hora, mas depois deixa o sabor amargo da insatisfação. Você come e come e não se farta. Busca e busca e nunca acha. O coração está sempre vazio.

A mente natural do homem é estranha. Oculta-se. Ele não deseja ser visto. Mas a sua atitude insensata, mais cedo ou mais tarde, o expõe à vergonha pública.

Nada melhor do que viver às claras. Com transparência e verdade. Viva hoje desse modo. Ouça a voz da sabedoria e não preste atenção à voz da sedução, mesmo que esta grite nos caminhos: “As águas roubadas são doces e o pão comido às ocultas é agradável.”

Pr. Alejandro Bullón (via Sétimo Dia)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Os Dez Mandamentos apresentados por Ellen G. White

Segue a transcrição, de forma sucinta, dos Dez Mandamentos conforme apresentados no livro Os Escolhidos (versão na linguagem de hoje do livro Patriarcas e Profetas, cap. 27, de Ellen G. White):

1. “Não terás outros deuses além de Mim” (Êxodo 20:3). Qualquer coisa que acariciamos, que tenda a minimizar o nosso amor a Deus ou venha a interferir no culto que deve ser prestado somente a Ele, fazemos disso um deus.

2.“Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem. […] Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto” (Êxodo 20:4). A intenção de representar o Eterno por meio de objetos materiais rebaixa nossos conceitos de Deus. Nossa mente é atraída para a criatura e não para o Criador. Quando os conceitos a respeito de Deus são rebaixados, da mesma forma o homem também é degradado.

3. “Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o Seu nome em vão” (Êxodo 20:7). Esse mandamento nos proíbe de usar o nome de Deus de maneira descuidada. Ao mencionar Deus impensadamente na conversação comum e pela frequente repetição irrefletida de Seu nome, nós O desonramos.

4. “Lembra-te do dia de sábado para santificá-lo” (Êxodo 20:8). O sábado não é apresentado como uma nova instituição, mas como um tempo que foi estabelecido desde a criação. […] O sábado é um sinal de nossa lealdade a Ele. O quarto mandamento é o único entre os dez que traz tanto o nome como o título do Legislador, o único que mostra por autoridade de quem a lei foi dada. Portanto, ele contém o selo de Deus. […] Todo trabalho desnecessário deve ser estritamente evitado.

5.“Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá” (Êxodo 20:12). Os pais têm o direito a um grau de amor e respeito que a nenhuma outra pessoa devem ser dados. Rejeitar a legítima autoridade dos pais é rejeitar também a autoridade de Deus.

6.“Não matarás” (Êxodo 20:13). Todos os atos de injustiça praticados (até mesmo desejar intimamente o mal de alguém), ser negligente no cuidado dos necessitados e até o excesso de trabalho que venha a prejudicar a saúde – todas essas coisas, em maior ou menor grau, são uma forma de transgressão ao sexto mandamento. 

7.“Não adulterarás” (Êxodo 20:14). A lei de Deus requer pureza não somente na vida exterior, mas também quanto às intenções e emoções secretas do coração.

8.“Não furtarás” (Êxodo 20:15). Esse mandamento exige estrita integridade nos mínimos detalhes da vida. Proíbe negócios duvidosos e requer o pagamento justo de dívidas e salários. Toda tentativa de obter vantagem pela ignorância, fraqueza ou infelicidade de outros é registrada como fraude nos livros do Céu.

9.“Não darás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo 20:16). Toda intenção de enganar se constitui uma falsidade. Um olhar, um movimento da mão, uma expressão do rosto podem representar uma falsidade tão eficaz quanto o que se diz por palavras. Toda tentativa de prejudicar a reputação do próximo é considerada uma transgressão do nono mandamento. 

10.“Não cobiçarás” nada do teu próximo (Êxodo 20:17). Esse mandamento atinge a própria raiz de todos os pecados; proíbe o desejo egoísta, do qual nasce o ato pecaminoso.

O tempo de Deus e a impaciência humana

Gosto muito de refletir sobre questões importantes do evangelho de Cristo que parecem ter sido esquecidas por muitos cristãos. Ultimamente, por exemplo, tenho pensado muito sobre o peso espiritual da paciência. Você já ouviu alguma pregação sobre paciência e impaciência? Já leu algum livro sobre o tema, já foi a algum congresso teológico com esse assunto? Eu nunca. No entanto, Paulo escreveu que paciência é uma das nove virtudes do fruto do Espírito (Gl 5:22-23). E, se esse comportamento é tão virtuoso a ponto de ter sido incluído por Paulo nessa seleta lista, infere-se, naturalmente, que a impaciência é um comportamento que não agrada a Deus. Logo, precisamos falar e refletir sobre isso, com muita seriedade. 

Paciência (ou “longanimidade”, nas traduções bíblicas mais arcaicas) é ter paz no coração enquanto se espera que algo aconteça. É ficar sossegado diante da necessidade de aguardar. Portanto, a pessoa que manifesta o fruto do Espírito sabe esperar em paz. E por que isso é espiritualmente importante? Porque paciência tem tudo a ver com fé. 

Se fé é “a certeza de coisas que se esperam” (Hb 11:1), fica claro que nossa fé está diretamente relacionada com nossa capacidade de esperar. E se “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6), certamente desagradamos o Senhor se demonstramos impaciência, pois ela revela que não temos fé suficiente nele para aguardar de forma descansada. A impaciência demonstra, portanto, que não temos confiança inabalável no fato de que Deus está no controle de tudo e que tem total domínio sobre o tempo certo daquilo pelo que esperamos. Impaciência é desconfiar da soberania divina. 

Deus é quem determina a hora exata de qualquer coisa acontecer, de acordo com seus propósitos. Isso fica claro quando vemos que Jesus só se fez carne na plenitude do tempo, predeterminada desde antes da fundação do mundo. De nada adiantaria a impaciência de querer que o Messias viesse logo, pois Ele só viria no tempo preciso de Deus. Ele esperou trinta anos para iniciar Seu ministério. A ressurreição só ocorreu após três dias, como Jesus antecipou que ocorreria. O povo de Israel precisou esperar 400 anos para sair do Egito e depois mais 40 para entrar na Terra Prometida. Jó precisou esperar “42 capítulos” para seu cativeiro ser virado. José teve de ser escravo e presidiário por muitos anos antes de se tornar o segundo em poder do Egito. Esses e muitos outros exemplos mostram que tudo acontece no tempo exato de Deus. Não adianta nada balançar o pé, ficar olhando para o relógio de dois em dois minutos ou roer as unhas até o talo. É tão somente quando Deus bater o martelo que o que tiver de ser… será. 

Se sabemos que tudo acontece no tempo exato de Deus, ficar impaciente revela que não temos fé suficiente nessa verdade. Impaciência revela, portanto, falta de confiança em Deus. 

Se você está esperando por algo, meu irmão, minha irmã, entregue a Deus e confie nele. Saiba que o Senhor tem os olhos voltados para você e está ciente da situação. Uma de três coisas acontecerá: 
1. Deus pode fazer o que você espera, no tempo em que você gostaria. Nesse caso, não é necessário exercer paciência. 
2. Deus pode não fazer nunca o que você espera; e, nesse caso, ficar impaciente simplesmente não terá absolutamente nenhuma serventia, só alimentará uma ansiedade inútil; ou
3. Deus pode fazer o que você espera, mas no tempo dEle e não no seu. Nesse caso, sua impaciência será inócua, não adiantará nada, não fará Deus se apressar e a vontade dEle prevalecerá de qualquer jeito. A única vantagem da sua impaciência é… bem, não há vantagem alguma na sua impaciência. 
Está claro, então, que ficar impaciente é inútil. Não adianta nada. E ainda demonstra falta de confiança no Senhor, o que certamente o desagrada. 

Meu irmão, minha irmã, espere com paciência no Senhor, sabendo que Ele em absolutamente tudo é soberano. Tudo acontecerá na hora certa, da forma correta, de acordo com a boa, agradável é perfeita vontade do seu Santo Pai. O que você tem de fazer? Descansar. Lance sobre Cristo toda a sua ansiedade e relaxe. Ficar agoniado, angustiado, querendo que tudo ocorra no tempo que você quer só fará mal à sua pressão arterial e provocará queimação gástrica. Talvez uma úlcera. Vantagem na prática? Nenhuma. Então… paciência! 
“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Rm 8:24-25)
“Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. […] Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.” (Tg 5:8-11)
“Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 15.5-6)
Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

Milagre comum, silencioso, particular

Outro dia, esbarrei outra vez numa história meio escondida entre as páginas da Bíblia. Leia comigo:
"E logo, saindo da sinagoga, foram à casa de Simão e de André com Tiago e João. E a sogra de Simão estava deitada com febre; e logo lhe falaram (a Jesus) dela. Então, chegando-se a ela, tomou-a pela mão, e levantou-a; e imediatamente a febre a deixou, e servia-os." (Marcos 1:29-31)
Sinceramente? Para mim, esse é um dos relatos mais sem graça da Bíblia. Tudo bem que é um milagre, um milagre de Jesus... mas, pense bem: é um milagre, no mínimo, diferente dos que costumamos notar, aplaudir ou esperar. Isto fica ainda mais evidente quando observamos o milagre que é mencionado nos versos anteriores (vv. 23-28). Jesus expulsa o demônio do corpo de um homem na sinagoga, diante dos fariseus e de um considerável número de pessoas. A Bíblia diz que "todos se admiraram" com a autoridade de Jesus (v. 27) e que sua fama corria por todos os lados (v. 28). É de se esperar que Jesus saísse dali para um outro evento, outra pregação, outro milagre espetacular, mas não. Ele simplesmente vai para casa de uns amigos. E foi lá, na casa de Simão e André, que o milagre estranho aconteceu. Digo estranho, porque é um milagre longe dos holofotes, entre quatro paredes, diante de poucas pessoas (três ou quatro, quem sabe); é um milagre simples (se é que isso é possível!). Jesus cura uma febre e isso não chama a atenção de muita gente, e, além de tudo, era a sogra de Pedro. De fato, estranho. É um milagre comum, silencioso, particular.

Fiquei pensando na razão de tal relato ser preservado na Bíblia. Jesus fez tantos outros milagres, e que eu saiba, a sogra de Pedro não era uma celebridade da época. Por quê? Muita gente fundamenta a fé em milagres. Muitas igrejas fazem dos milagres sua propaganda principal. O que não sabem é que o milagre não gera a fé. É a fé que gera o milagre. Esquecem que os maiores milagres que Deus tem para realizar hoje, não estão reservados aos palcos da evidência, nem aos aplausos de multidões, mas à intimidade do lar de amigos seus. São milagres comuns, silenciosos, particulares. Mas são milagres. Quer ver uma coisa? 

Tem gente que espera uma nova multiplicação de pães para acreditar no poder de Deus, para acreditar em milagres, quando Deus quer realizar um milagre diferente, um milagre comum. Ele quer ver você e eu realizando um milagre atual. Quando você divide o que tem com o que tem menos, quando corta gastos periféricos para doar uma cesta básica, mais um milagre acontece, mas, eu sei, é um milagre comum, silencioso, particular.

Tem gente que espera que um jumento cruze seu caminho e comece a falar para ser convencido da vontade de Deus para sua vida, quando Deus quer realizar outro milagre: que você creia que quando a Bíblia é aberta, é Deus quem fala, que as palavras ali contidas são o melhor para sua experiência, mas este é um milagre comum, silencioso, particular.

Tem gente que se afunda no pecado, e espera um milagre para acreditar no perdão de Deus e Sua aceitação. Espera que Ele apareça milagrosamente para livrar das pedradas das consequências de suas escolhas, quando Deus quer realizar outro milagre. Quer realizar o milagre da transformação diária – do "vá e não peques mais". Mas este milagre é comum, silencioso, particular. Ninguém aplaude, ninguém assiste...

Tem gente que espera uma aparição extraordinária, uma força descomunal e de origem celeste para vencer as tentações, os desafios pessoais. Espera que Deus faça o sol parar mais uma vez para que suas batalhas pessoais sejam vencidas, quando Deus quer realizar outro milagre: o milagre da comunhão. Nesses dias atarefados que vivemos, é um milagre decidir acordar mais cedo e buscar a Deus em oração e através do estudo de Sua Palavra. Mas esse é um milagre comum, silencioso, particular. Não chama a atenção de grandes públicos, não aparece nos resultados das buscas no Google, ninguém "pay-per-view"...

Tem gente que espera um milagre na família, que Deus traga alguém de volta à vida, como fez tantas vezes no passado, quando Deus quer realizar um milagre diferente. Quer ressuscitar os relacionamentos mortos. Quer trazer de volta o diálogo, o carinho, os elogios, a cumplicidade... mas esse é também um milagre comum, silencioso, particular.

É possível que nada demais tenha lhe ocorrido durante a leitura destas linhas. Milagre não é sinônimo de lágrimas e excitação, mas simplesmente a quebra da rotina, a violação do óbvio predileto. Tenho certeza de que, assim como eu, você também espera um milagre de Deus. Fique atento. Ele pode estar em andamento agora mesmo, e você nem notou. É só abrir a porta de casa para o amigo Jesus. Ele certamente entrará e tocará sua vida.

Que ao perceber estes pequenos milagres recebidos, você se ponha em pé e seja também um milagre na vida das pessoas com quem entrar em contato. Mas seja um milagre comum, silencioso, particular. O céu assiste, mas seu aplauso não faz muito barulho.

Oro por você.

Cândido Gomes (via Para ler, reler e treler)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O que a Bíblia diz sobre masturbação?

A Bíblia não fala explicitamente sobre masturbação, mas apresenta vários princípios que nos ajudam na compreensão do assunto. Somos ensinados pela Palavra de Deus que o sexo, em vez de ser usufruído egoisticamente, deve ser compartilhado exclusivamente dentro do relacionamento matrimonial. O plano divino não é “que o homem esteja só” (Gn 2:18), mas que se realize sexualmente no casamento (ver Gn 2:24; Êx 20:14; Pv 5:18; 6:20-35; 7:1-27).

A despeito de ser encarada positivamente por muitos médicos e sexólogos contemporâneos, a masturbação é uma negação direta do princípio bíblico de que “a mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher” (1 Co 7:4). Além disso, ao se masturbar, a pessoa geralmente contempla fotos pornográficas ou imagina cenas eróticas, não condizentes com os elevados princípios de pureza moral e espiritual do cristianismo (ver 1 Pe 2:11).

Cristo foi claro em afirmar que o adultério condenado pelas Escrituras (Êx 20:14) não se restringe meramente às relações sexuais fora do casamento, mas envolve também os próprios pensamentos imorais, “que contaminam o homem” (Mt 15:19 e 20). Ele asseverou no Sermão do Monte: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5:27 e 28). E no Salmo 24:3 e 4 lemos: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no Seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração…”

Apesar de não ser fácil romper com o vício da masturbação, a graça de Cristo é poderosa para nos dar a vitória sobre todo e qualquer hábito pecaminoso (ver 1 Co 15:57; Fp 2:13; 4:7; 1 Jo 1:7-9) e para desenvolver em nossa vida o ideal divino enunciado nas seguintes palavras: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8).

Alberto R. Timm (via Centro White)

Nota: Segue abaixo mais alguns textos bíblicos em que encontramos fundamentos para esta situação:
"Dirige-me pelo caminho dos teus mandamentos, pois nele encontro satisfação. Inclina o meu coração para os teus estatutos, e não para a ganância. Desvia os meus olhos das coisas inúteis; faze-me viver nos caminhos que traçaste." (Salmos 119:35-37)

"Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine." (1 Coríntios 6:12)
"Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne." (Gálatas 5:16)

"Ao contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne." (Romanos 13:14)

"Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida." (Provérbios 4:23)
"Mas, se vocês não podem dominar o desejo sexual, então casem, pois é melhor casar do que ficar queimando de desejo." (1 Coríntios 7:9)
No Espírito de Profecia também encontramos vários textos sobre esse assunto. Vejamos apenas dois:
"Jovens e crianças de ambos os sexos se entregam à masturbação, e praticam este repulsivo vício, destruidor da alma e do corpo. Muitos professos cristãos acham-se tão embotados pela mesma prática, que suas sensibilidades morais não podem ser despertadas para compreender que isto é pecado, e que se nisto continuam, os seguros resultados serão completa ruína do corpo e da mente." (Testemunhos Seletos 1, p. 257)
"A masturbação destrói as boas resoluções, o esforço fervoroso, e a força de vontade para formar um bom caráter religioso. Todos os que têm qualquer verdadeiro senso do que significa ser cristão sabem que os seguidores de Cristo estão na obrigação, como discípulos Seus, de trazerem todas as suas paixões, forças físicas e faculdades mentais, em perfeita subordinação à Sua vontade. Os que são controlados por suas paixões não podem ser seguidores de Cristo." (Orientação da Criança, p. 445)
O professor Leandro Quadros deixa também seu comentário no vídeo abaixo: 

Deus sempre usa o pregador?

Várias vezes vejo cristãos dizendo: “Ah, não importa quem é o pregador, Deus sempre irá usá-lo de alguma forma para edificar minha vida”. De onde surgiu isso? Essa visão ingênua e romantizada da igreja e do púlpito pode parecer muito bonita a alguns, mas, na verdade, é fruto de misticismo e não há nada de bíblico nela. O fato de alguém ocupar um púlpito não é salva-guarda contra falsos ensinos. Afirmar tal coisa é não apenas crer estar firme construindo sua casa sobre areia movediça (uma vez que Deus nunca prometeu essa segurança quanto aos sermões que ouvimos), mas também negar as diversas advertências bíblicas contra os falsos mestres, os quais pregam suas falsidades de dentro do próprio povo de Deus (Mt 7:15; 24:11; 2Co 11:13-15; Gl 2:3-5; 2Pd 2:1; 1Jo 4:1).

Ao contrário do que muitos acham, abrigar esse tipo de pensamento não acaba exaltando o púlpito como um local abençoado, mas, visto que tal visão não é bíblica, esse pensamento apenas rebaixa o púlpito cristão como um local místico, que pode ser ocupado por qualquer um, mesmo que não esteja sequer minimamente interessado e preparado para ministrar alimento sadio à igreja.

Púlpito não é brincadeira. Não é lugar para colocarmos alguém simplesmente por ser alguém incisivo ou simpático, “desenrolado” ou bem-intencionado, e sim pessoas que se preparem espiritual e intelectualmente para esta tarefa. Não inutilize a Palavra de Deus. Ela existe a fim de que possamos nos alimentar dela. Pôr no púlpito alguém que não está apto para alimentar a outros com a Palavra é uma forma de inutilizá-la, não só porque ela não estará servindo ao propósito para o qual foi dada, mas também porque ela mesma afirma que quem instrui o povo deve manejá-la bem (2 Tm 2:15) e que o Espírito reparte os dons conforme Lhe apraz. Uns possuem o dom de ser mestres, ou seja, instruir a igreja (1Co 12:7-11, 28); outros, não (1Co 12:28-29), portanto, não deveriam ocupar o púlpito.

Muitos podem achar essas palavras arrogantes, crendo que isso é pregar uma espécie de segregação. Curiosamente, essas pessoas não acham arrogante desconsiderar que o Espírito Santo é soberano acerca de como Ele reparte os dons e que não devemos cobiçar aquilo que Deus, em Sua infinita sabedoria, escolheu não nos dar. Tampouco acham arrogante subir a um púlpito para pregar suas próprias palavras, e não a Palavra de Deus. Sim, porque quem não estuda não poderá falar outra coisa senão suas próprias Palavras, pois Deus não costuma transmitir miraculosamente aquilo que podemos adquirir estudando. Em momento algum a Bíblia afirma que o Espírito Santo seria dado a fim de fazer de nós preguiçosos e pouco aplicados em buscar o sentido original do texto bíblico.

Se uma pessoa quer subir ao púlpito sem preparo espiritual e intelectual para alimentar a igreja, a única forma de amá-la e amar a igreja é não permitindo que a arrogância destruidora dela seja alimentada enquanto a igreja morre de inanição, pois é exatamente isso o que fazemos quando permitimos que tal pessoa pregue.

Quando digo que não devemos permitir isso, não é crucificando ou zombando do pregador ou dos púlpitos, numa revolta infantil e inoperante, mas cobrando amoravelmente dos líderes um alimento sólido, tanto deles quanto de quem eles colocam no púlpito. Cobrando cursos de capacitação para que a igreja tenha condições de ler, entender e comunicar efetivamente a Palavra de Deus, em vez de sermões melosos, ou fanáticos, ou sem pé nem cabeça, ou mesmo bem estruturados, mas cujas conclusões não procedem do texto bíblico.

Procure os líderes de sua igreja e converse humildemente sobre isso. Procure você também, na medida de suas possibilidades, estudar para cobrar. Muitos deles, quando veem que o nível dos membros é muito baixo, se acomodam e também passam a não estudar, criando um ciclo vicioso: líderes preguiçosos, incapazes de alimentar o povo; gerando um povo cada vez mais ignorante; que alimenta a preguiça desses líderes; que gera um povo cada vez mais ignorante; que… Não espere por ninguém; esse ciclo precisa ser rompido em algum ponto. 

Que seja você o ponto de rompimento com o desleixo para com a Palavra de Deus. Comece não admitindo sermões rasos, especulativos e que enfatizam o que a Bíblia não enfatiza, “negligenciando os preceitos mais importantes da lei” (= Palavra de Deus) (Mt 23:23). Comece parando de se resignar diante do engano supersticioso do “não importa quem pregue”. Importa, sim! Com amor e mansidão, exija Bíblia, cruz e evangelho nos púlpitos de sua igreja!
“Há homens que ficam nos púlpitos como pastores, professando alimentar o rebanho, enquanto as ovelhas estão morrendo por falta do pão da vida. Há longos e arrastados discursos grandemente compostos de narrativas de anedotas; mas o coração dos ouvintes não é tocado [e esse entretenimento pode ser tanto “liberal” como “extremista”]. Pode ser que os sentimentos de alguns sejam tocados, podem derramar algumas lágrimas, mas seu coração não foi quebrantado. […] O Senhor, Deus do Céu, não pode aprovar muito do que é trazido ao púlpito pelos que professam estar falando a Palavra do Senhor. Não inculcam ideias que sejam uma bênção para os que o ouvem. Alimento barato, muito barato é colocado diante do povo [novamente, esse alimento barato, água com açúcar, pode ser tanto “liberal” como “extremista”]” (Ellen G. White, Testemunhos para Ministros, p. 336-337).
Vanedja Cândido (via Missão Pós-Moderna)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Desejos proibidos

Vivemos em uma sociedade viciada, intoxicada, doente. E a dependência não tem que ver somente com o consumo de substâncias ilegais. O mundo se transformou em uma grande “cracolândia comportamental”. Celular, internet, cacau em pó, carboidratos, exercício, cirurgia plástica, dinheiro, compras, filmes, jogos, medicamentos, emagrecedores, trabalho, cibersexo e pornografia são apenas alguns dos inúmeros vícios atuais.

Existe, por exemplo, uma onda de viciados em telas digitais: celular, computador, tablet, TV. Você mesmo consegue ficar desconectado por uma semana ou sequer um dia? Em países da Ásia, o problema é sério. A China está preocupada com a “heroína eletrônica” que afeta seus jovens. Na Coreia do Sul, o vício em internet atinge pelo menos 10% dos adolescentes. O detox digital é feito em centros de reabilitação.

Para a criança, o tempo diante da tela age como um estimulante (dopamina digital) não muito diferente do efeito de uma droga. No entanto, o prazer é prejudicial, e faz bem ­desconectar-se. Além de diminuir a inteligência emocional dos nossos filhos, o excesso de tecnologia pode estar acentuando o problema de autismo e déficit de atenção nos mais novos. Isso é o que sugere um estudo feito na Romênia. Estamos criando uma geração que se relaciona melhor com as máquinas do que com as pessoas. São jovens plugados em aparelhos, mas desconectados do mundo.

Causado por fatores biopsicológicos, o vício é um padrão de comportamento recorrente que, embora cause sensações momentâneas agradáveis, traz danos para a própria pessoa, a família e a sociedade. É uma doença do cérebro, pois muda a estrutura do nosso órgão mais precioso e a maneira dele funcionar. Coisas viciantes inundam o cérebro de dopamina, alvejando o centro do prazer, e criam dependência. Com isso, alteram os circuitos cerebrais. A memória da sensação prazerosa torna o comportamento automático.

Pesquisas indicam que uma recompensa inesperada leva os neurônios a liberar uma dose maior de dopamina, o que causa mais euforia. Por exemplo, a pessoa que trai o cônjuge está tentando comprar prazer inesperado. Diante da sensação, o fluxo de dopamina estimula o cérebro a prestar atenção ao novo estímulo. Com o tempo, o estímulo deixa de ser novidade, e a pessoa se habitua a ele. Para ter mais prazer, ela busca novos estímulos. Por isso, se você comprar um carro ou computador novo, a satisfação será maior no início. O vício segue essa lógica.

Os cientistas estão aperfeiçoando o diagnóstico dos vícios, utilizando análise do comportamento, imagens neurológicas e dados genéticos. A ideia é ir além do “sim” ou do “não”. Afinal, se a descoberta de uma doença como o câncer exige mais detalhamento, o mesmo princípio se aplica aos hábitos comportamentais. Para um tratamento customizado, é necessário um diagnóstico personalizado.

A dependência é uma doença tratável como qualquer mal crônico, e a graça divina ainda faz milagres e liberta do pecado, como enfatiza a matéria de capa desta edição. Porém, o melhor é evitar comportamentos compulsivos. As pessoas precisam voltar a encontrar sentido nas coisas simples e agradáveis da vida.

O psiquiatra Viktor Frankl, famoso sobrevivente do campo de concentração nazista, apontou três grandes males da sociedade moderna aos quais ele chamou de “tríade neurótica de massa”: agressividade, dependência e depressão. O remédio, segundo ele, é encontrar a plenitude de sentido para a vida. Enquanto o vazio existencial não for preenchido por algo realmente significativo, o vício vai predominar. É Deus quem satisfaz os desejos do coração (Sl 37:4). Encontre a felicidade nEle, e você não precisará buscar prazer em desejos proibidos!

Marcos de Benedicto (via Revista Adventista)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Todos os pecados são iguais aos olhos de Deus?

Fundamental para entendermos o problema do pecado é a distinção entre pecado (condição) e pecados (atos pecaminosos). O pecado é uma condição humana de alienação de Deus e um princípio interior propulsor para o mal (ver Is 59:2; Ef 2:1-3 e 5). Esse princípio se manifesta exteriormente através de atos pecaminosos. Cristo declara que “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Mc 7:21 e 22).

Embora a essência de todos os pecados seja sempre a mesma (alienação de Deus), existem algumas realidades que nos impedem de aceitar a teoria de que todos os pecados são iguais aos olhos de Deus. Uma delas é o processo pelo qual a tentação se transforma em pecado. Esse processo é geralmente composto pelos seguintes estágios: atenção, consideração, desejo, decisão, planejamento e ação. Uma vez que o grau de envolvimento nesse processo pode variar de intensidade, não podemos afirmar que o pecado de alguém que teve apenas um desejo pecaminoso momentâneo, seja tão ofensivo a Deus como o pecado premeditado de Davi com Bate-Seba (ver 2Sm 11).

Que Deus não considera todos os pecados iguais é evidente também no fato de o próprio Deus haver prescrito diferentes sacrifícios no Antigo Testamento para a expiação dos diferentes pecados (ver Lv 1 a 7). Além disso, se todos os pecados fossem iguais, como querem alguns, por que deveriam os ímpios ser punidos no juízo final, “segundo as suas obras” (Ap 20:11-13)? Por que alguns haveriam de ser castigados, naquele juízo, “com muitos açoites” e outros com “poucos açoites” (Lc 12:47-48)? Se os pecados fossem iguais, não receberiam todos o mesmo castigo?

Mas a despeito dos pecados serem distintos entre si, todos eles refletem a mesma essência maligna da alienação de Deus. Isso significa que, por mais insignificante que determinado pecado possa parecer, ele é suficientemente ofensivo para excluir o pecador do reino de Deus.

Alberto. R. Timm (via Centro White)
"Deus não considera igualmente graves todos os pecados. Há diferentes gradações de culpa, tanto aos olhos de Deus quanto aos humanos. Todavia, por mais insignificante que esta ou aquela transgressão possa parecer aos olhos humanos, nenhum pecado é pequeno aos olhos de Deus." (Ellen G. White - Caminho a Cristo, p. 21)
O professor Leandro Quadros também abordou este assunto:

Ellen G. White e os anjos que assumem forma humana

Anjos visitantes
O Senhor gostaria que tivéssemos percepções agudas para entender que esses seres poderosos que visitam nosso mundo têm uma parte ativa em toda obra que temos considerado como nossa. Esses seres celestiais são anjos ministradores e frequentemente se disfarçam na forma de seres humanos. Como estranhos conversam com aqueles que estão empenhados na obra de Deus. Em lugares isolados têm sido companheiros de viajantes em perigo. Em navios castigados pela tempestade, anjos em forma humana têm proferido palavras de animação para desviar o temor e inspirar confiança na hora do perigo, e os passageiros têm julgado que era um dentre eles com quem nunca antes haviam falado.

Muitos, sob diferentes circunstâncias, têm ouvido vozes dos habitantes de outros mundos. Eles têm vindo desempenhar uma parte nesta vida. Têm falado em assembleias, e desenrolado histórias humanas perante essas assembleias, e realizado obras que seriam impossíveis para instrumentos humanos. Vez após vez, têm sido generais de exércitos. Têm sido enviados para eliminar pestilência. Têm-se alimentado à mesa de humildes famílias. Frequentemente têm aparecido como cansados viajores em necessidade de abrigo para a noite.

Precisamos compreender melhor do que o fazemos a obra desses anjos visitantes. Seria bom que todos quantos alegam ser filhos de Deus considerassem que as palavras que falam são ouvidas pelos seres celestiais e que estes contemplam as obras que realizam.[1]

Anjos podem ser hospedados hoje em dia
A Bíblia põe muita ênfase na prática da hospitalidade. Não somente a recomenda como um dever, mas apresenta muitos belos quadros do exercício desta graça e das bênçãos que ela traz. Entre estes, destaca-se o exemplo de Abraão. ...

Tais atos de cortesia foram reputados por Deus suficientemente importantes para serem registrados em Sua Palavra; e mais de mil anos depois, esses atos foram mencionados por um inspirado apóstolo: 'Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.' (Hb 13:2).

O privilégio concedido a Abraão e a Ló, não nos é negado a nós. Mostrando hospitalidade aos filhos de Deus nós, também, podemos receber-Lhe os anjos em nossa morada. Mesmo nos dias atuais, anjos em forma humana entram no lar dos homens e são aí hospedados por eles. E os cristãos que vivem à luz do rosto de Deus estão sempre acompanhados por anjos invisíveis, e esses seres santos deixam após si uma bênção em nosso lar.[2]

Disfarçados como crentes
Satanás usará toda oportunidade para seduzir os homens e desviá-los de sua lealdade a Deus. Ele e os anjos que caíram com ele aparecerão na Terra como homens, procurando enganar. Anjos de Deus também aparecerão como homens, e usarão todos os meios ao seu alcance para frustrar os desígnios do inimigo.

Anjos maus em forma humana falarão com os que conhecem a verdade. Eles interpretarão mal e desvirtuarão as declarações dos mensageiros de Deus. ... Os Adventistas do Sétimo Dia esqueceram a advertência dada no sexto capítulo de Efésios? Estamos empenhados numa peleja contra as hostes das trevas. A menos que sigamos nosso Dirigente bem de perto, Satanás obterá a vitória sobre nós. 

Anjos maus, disfarçados como crentes, atuarão em nossas fileiras para introduzir um forte espírito de descrença. Não permitais que nem mesmo isso vos desanime, mas trazei um coração leal ao socorro do Senhor contra os poderes das agências satânicas. Esses poderes do mal se juntarão em nossas reuniões, não para receber uma bênção, mas para combater as influências do Espírito de Deus.[3]

Entre os ouvintes de Jesus
Misturando-se com os ouvintes [de Jesus], achavam-se anjos sob a forma de homens, fazendo suas sugestões, criticando, interpretando erroneamente e representando falsamente as palavras do Salvador.[4]

Anjos bons e maus
Agentes satânicos sob forma humana tomarão parte neste último grande conflito, para opor-se à edificação do reino de Deus. Anjos celestiais em aparência humana também estarão no campo de ação. Os dois partidos antagônicos prosseguirão existindo até o encerramento do último grande capítulo da história deste mundo.[5]

Manifestações sensacionalistas
Não é difícil para os anjos maus representar tanto os santos como os pecadores que morreram, e tornar essas representações visíveis aos olhos humanos. Essas manifestações serão mais frequentes e aparecerão desenvolvimentos de caráter mais sensacional à medida que nos aproximarmos do fim do tempo.[6]

Encontro na eternidade
Todo remido compreenderá o serviço dos anjos em sua própria vida. Que maravilha será entreter conversa com o anjo que o guardou desde seus primeiros momentos, que lhe vigiou os passos e cobriu a cabeça no dia de perigo, que com ele esteve no vale da sombra da morte, que assinalou o seu lugar de repouso, que foi o primeiro a saudá-lo na manhã da ressurreição, e dele aprender a história da interposição divina na vida individual e da cooperação celeste em toda a obra em prol da humanidade. [7]

[1] Cuidado de Deus, p. 284
[2] Lar Adventista, p. 445
[3] Eventos Finais, p. 160-161
[4] A Verdade Sobre os Anjos, p. 190
[5] A Verdade Sobre os Anjos, p. 261
[6] Eventos Finais, p. 161
[7] Educação, p. 305

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O cachorro de Ellen White

Ellen G. White teve um cachorro enquanto esteve na Austrália. Era um cão de guarda, a quem ela deu o nome de Tiglate-Pileser, provavelmente porque ele poderia ser hostil às pessoas que considerasse possíveis inimigos. Mas a Sra. White parecia sentir afeto por ele, até mesmo por ter-lhe dado esse nome bíblico em referência a um cruel rei assírio (2 Crônicas 28:20).

Aqui está o que Arthur White escreveu sobre o assunto em Ellen G. White: The Early Elmshaven Years, 1900-1905, v. 5, p. 19:

"As fotografias em sépia ajudam a contar a história do trabalho na Austrália. Nelas se vê o instituto eletro-hidropático de Adelaide. Há fotografias de algumas igrejinhas bonitas que Ellen White visitou e ajudou financeiramente... Há retratos de amigos e cenas da casa dela em Sunnyside. Uma página foi reservada só para seu cão de guarda, Tiglate-Pileser, em Sunnyside. Convém lembrar que algumas regiões da Austrália foram ocupadas por condenados, e como alguns de seus descendentes aparentemente herdaram as tendências de seus antepassados, um bom cão de guarda tinha sua utilidade em Sunnyside."

Ellen White dispensava um carinho todo especial, não apenas a seu cãozinho de estimação 'Tig', como a todos os demais animais com que tinha contato. No livro Histórias de Minha Avó, p. 17 (CPB), a neta de Ellen, Ella M. Robinson, narra o seguinte: 
“Independentemente de onde morássemos, se houvesse algum animal doméstico por perto, vovó fazia amizade com ele. Assim que os pés dela tocavam o chão do potreiro, o pônei relinchava as boas-vindas e estendia o pescoço para o afago que ele já sabia que receberia. Vovó não suportava ver os animais sendo maltratados porque, dizia ela, ‘eles não podem contar-nos os seus sofrimentos’.”
Noutra ocasião, Ellen escreveu a seus filhos Edson e Willie: 
"Filhos, sejam bondosos com os animais, que não podem falar. Jamais lhes causem desnecessariamente dores. Eduquem-se a si mesmos em hábitos de bondade. Então ela se tornará habitual. Vou mandar para vocês um recorte de jornal, e decidam por vocês mesmos se alguns animais irracionais não são superiores a alguns homens que se permitiram embrutecer-se pelo cruel procedimento com os animais.” (Life Sketches, p. 26, citado em Perguntas que Eu Faria à Irmã White, p. 57)
O nosso papel, dado a Deus no Éden, é cuidar, proteger as criaturas dEle. Ellen White nos fala mais:
"Aquele que ama a Deus, não somente amará o seu semelhante, mas considerará com terna compaixão as criaturas que Deus fez. Quando o Espírito de Deus está no homem, leva-o a aliviar o sofrimento antes que a criá-lo.” (Beneficência Social, p. 48)
"Pensem na crueldade que o regime cárneo envolve para com os animais, e seus efeitos sobre os que a infligem e nos que a observam. Como isso destrói a ternura com que devemos considerar as criaturas de Deus.” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 314)
A foto de 'Tig' é do Centro de Pesquisas Ellen G. White

A igreja sádica e pecadora

Um fenômeno incompreensível no nosso meio é a alegria que muitos frequentadores de igreja demonstram quando um cristão cai em pecado. E digo “frequentadores de igreja” não por acaso: um cristão de verdade jamais se alegra com o pecado de ninguém. A verdade é que, enquanto Jesus diz que “haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15:7), aqui na terra a turma se esbalda quando alguém peca. 

Evidentemente não estou falando só de pecados gravíssimos, terríveis, como: glutonaria, rancor, ira, maledicência, discórdia, ciúmes, egoísmo, inveja e outros dessa estirpe (ou você achava que esses pecados não eram sérios? Leia Gálatas 5:19-21). Refiro-me basicamente à tríade sexo, poder e dinheiro – os grandes pecados que elegemos para não perdoar, junto, é claro, com o álcool e o cigarro. Envolveu um desses pecados e a turma vai adorar falar por anos a fio sobre os envolvidos nessas histórias, que na cabeça do cristão brasileiro são piores que a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Não, pecar não é correto. Não se justifica. É uma desobediência ao Rei dos Reis. É feio. É condenável. Cheira mal às narinas do Santíssimo. Mas permita-me abordar quatro aspectos da questão:

1. Absolutamente todo mundo peca. Eu e você, inclusive.

2. Todos pecados são hediondos, mesmo os que você pratica e acha que não são. O glutão é tão pecador como o assassino. O invejoso e o ciumento são tão pecadores como o estuprador. Se você acha que o seu pecado é menor do que o do bandido da boca de fumo, novamente sugiro que leia Gálatas 5:19-21 e me diga se estou errado.

3. Jesus encarnou como o Cordeiro de Deus que veio para tirar o pecado do mundo. Depois da Cruz, Ele concede o perdão a todo pecador que se arrepende (a única exceção é a blasfêmia contra o Espírito Santo, mas nesse caso não haveria arrependimento). E, se Deus já perdoou, quem você pensa que é para continuar acusando o pecador arrependido?

4. Alegrar-se quando alguém peca é tão pecado como qualquer outro, pois vai contra o maior mandamento: amar o próximo como a si mesmo.

Apesar dessas verdades, o que vejo ao meu redor é que o frequentador de igreja em geral ama crucificar quem Deus já perdoou. Ama de paixão. Tem um prazer e uma alegria sádicos de ficar apontando o pecado alheio. É como se dissesse: “Hehehe, sou melhor do que você”. Pior: há os que amam ficar sabendo e tricotando sobre o pecado do outro. “Você não soube o que fulana fez? Vou te contar, mas é só pra você orar por ela”, diz o fofoqueiro. “Pode contar, só quero saber para interceder por beltrano”, diz o frequentador de igreja com aparência de piedade mas que por dentro está se escangalhando de se entreter com a desgraça do seu próximo.

Tudo pelo sádico prazer anticristão de ver o próximo se dar mal. Essa que é a pura verdade.

Pois o cristão de fato não se alegra com a queda do irmão: o ajuda a se reerguer, o preserva, chora com ele, protege-o. Pois todo aquele que escorregou tem o grande potencial de se tornar um cristão melhor após ser reerguido pelo Espírito de Deus – basta ver o exemplo de Davi no caso de Bate-Seba. E o cristão de verdade sabe disso, e luta para que o irmão que pecou torne-se um homem segundo o coração de Deus. Não pisa na cabeça dele nem o acusa. Isso já tem alguém chamado Satanás para fazer, nenhum ser humano precisa tomar do diabo aquilo que ele já fará naturalmente. Quem o faz torna-se cúmplice dele. [...]

Como disse um sacerdote veterano certa vez, quando alguém lhe perguntou se deveria perdoar alguém que praticou grande mal: “Bem… temos duas opções: ou nós não o perdoamos ou fazemos o que a Bíblia manda”. Sim, a resposta do problema era matemática: 70 vezes 7. E a equação estava resolvida. Esse relato me lembra uma frase de Jesus quando uma certa mulher adúltera foi levada até ele, pois queriam apedrejá-la. Você conhece a história. Disse o Cordeiro de Deus: “Visto que continuavam a interrogá-lo, Jesus se levantou e lhes disse: ‘Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela’.” (João 8:7).

Meu irmão, minha irmã, perceba: você peca todo santo dia – por pensamentos, palavras, atos e omissões. Você e eu não somos menos pecadores do que o pior dos assassinos. Mas aí vem logo alguém com aquele argumento óbvio: “Ah, eu peco, só que eu não vivo pecando”. E eu perguntaria: “Não vive pecando? Ok. Então me diga um único dia da sua vida em que você não pecou”. Pois é. Você e eu pecamos TODOS os dias das nossas vidas, tirando talvez algum dia em que estivemos em coma. Fora esse, você pecou TODOS os dias.

Então, caro amigo vaidoso, glutão, fofoqueiro, invejoso, iracundo, maledicente, preguiçoso, cobiçoso, egocêntrico, que não põe Deus acima de todas as coisas, que deseja o mal ao próximo, que não prefere os outros em honra, que devolve mal com o mal, que não perdoa as dívidas e ofensas, que é rude com os outros, que desdenha os mais pobres, que inveja os mais ricos, materialista, que tem inimizades e ciúmes, que tem iras e discórdias, que promove dissensões e facções… meu querido, lamento informar, mas você e eu vivemos SIM pecando. Di-a-ri-a-men-te. E Paulo diz em Gálatas 5 que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”. Então, caro, estamos mal na fita – e carecemos da graça de Deus tanto quanto quem você acha o pior dos pecadores.

É a isso que Jesus se referia quando disse para olharmos a trave em nosso olho antes de olhar o argueiro no olho do outro, caro frequentador de igreja. Diante disso, se me permite, sugiro que a partir de hoje você olhe menos para o pecado do seu próximo – em especial se por acaso você sente aquela satisfação sádica de ver o pecador se arrebentar – e passe a dirigir mais sua atenção para os seus próprios pecados e, principalmente, para a Cruz de Cristo. Pois, pode acreditar: você vai precisar muito dela no Dia do Juízo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo – e que, como eu, sabem que são miseráveis pecadores.

Maurício Zágari (via Apenas)
"Cada indivíduo que se propõe vencer terá de lutar primeiramente contra as próprias fraquezas; e como é muito mais fácil descobrir erros em outros do que em si mesmo, importa haver muito mais cuidado e mais rigor no julgamento dos atos próprios do que nos alheios." (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 564)
"Que revelações viriam aos homens se a cortina fosse aberta e vocês pudessem ver o resultado de seu trabalho ao lidar com os que erram e que necessitam do mais adequado tratamento para não serem desviados do caminho!" (Liderança Cristã, p. 62)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Uma palavra para quem está aflito

Será que você está passando por um momento de aflição? A sensação é a de estar se afogando no seco, debaixo de muita pressão, envolto em escuridão? Parece que ninguém ouve seu clamor por socorro? Você não sabe mais o que fazer, para onde correr, como sair dessa situação? As dores são muitas, as esperanças são poucas, as lágrimas tornaram-se companheiras inseparáveis? Então permita-me mostrar o que a Bíblia e o Espírito de Profecia dizem a quem está passando por aflições. 

Aflição é o que o povo de Israel enfrentou quando teve de suportar a escravidão no Egito. 
“Viste a aflição de nossos pais no Egito, e lhes ouviste o clamor junto ao mar Vermelho.” (Ne 9:9) 
Aflição também é o que experimentou Jó, o homem que perdeu todos os filhos, os bens e a saúde: 
“Agora, dentro de mim se me derrama a alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.” (Jó 30:16) 
No original em hebraico, inclusive, a palavra usada nessas passagens é exatamente a mesma, ‛ŏnı̂y.

Primeiro, é importante compreender por que Deus permite que sejamos afligidos. O Pai não é sádico. Tampouco nos odeia. Também não está alheio a nós. Muito pelo contrário: se sabemos que o Senhor é soberano e, ao mesmo tempo, só quer o que é melhor para cada um de nós, devemos sempre compreender que nossa aflição faz parte de um propósito divino mais elevado, que resultará em algo benéfico que na hora não entendemos. 
"As mesmas provações que da maneira mais severa provam a nossa fé, e fazem parecer que Deus nos abandonou, devem levar-nos para mais perto de Cristo, para que possamos depor todos os nossos fardos a Seus pés, e experimentar a paz que Ele, em troca, nos dará." (Patriarcas e Profetas, p. 83)
Se não fosse assim, ou nossa aflição denunciaria maldade no coração de Deus ou desdém da parte dele pela nossa vida. Mas ambas suposições são incompatíveis com o caráter do Senhor. Logo, devemos entender nossa aflição como a compreendeu o salmista: como algo que, de algum modo, contribui para o nosso crescimento e nossa aproximação de Deus. 
“Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos […] Bem sei, ó SENHOR, que os teus juízos são justos e que com fidelidade me afligiste.” (Sl 119:71,75)
"Muitas de vossas aflições têm sido levadas a vós, na sabedoria de Deus, para conduzir-vos para mais perto do trono da graça. Não raro Ele submete Seus filhos a sofrimentos e provas. Este mundo é Sua oficina de trabalho, onde Ele nos modela para as cortes celestiais. Ele usa a plaina em nosso estremecido coração até que as arestas e irregularidades sejam removidas e estejamos aptos para ocupar nosso lugar no edifício celestial. Mediante tribulação e aflição o cristão se torna purificado e fortalecido, e adquire caráter segundo o modelo que Cristo deu." (Testimonies for the Church 4, p. 143)
"Aflições, cruzes, tentações, adversidades e nossas várias provações, são os agentes divinos para nos purificar, santificar e preparar-nos para o celeiro celeste." (Testemunhos Seletos 1, p. 313)
Deus é bom e cuida dos que lhe pertencem. Lembra da aflição do povo de Israel no Egito? Por 400 anos aquelas pessoas poderiam supor que o Senhor não estava vendo sua aflição nem ouvindo seu clamor, tampouco ciente de seu sofrimento. É de se imaginar que pensassem isso, afinal, não é o que muitos que estão afligidos pensam em nossos dias? Bem, então veja qual era a realidade dos fatos:
“Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento; por isso, desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel.” (Êx 3:7-8)
A Palavra de Deus nos dá alento e esperança. Assim como o povo de Israel nunca foi ignorado pelo Senhor em sua aflição – que tinha um propósito -, nós, hoje, permanecemos incessantemente debaixo de atenção do Todo-poderoso. E, para os nossos dias, temos uma promessa que traz esperança e revigora os ânimos. Meu irmão, minha irmã, muitas são as suas aflições? Então saiba disto:
“Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra.” (Sl 34:19)
"A toda pessoa aflita, Jesus vem com o ministério da cura. A vida de privações, dor e sofrimento poderá ser iluminada por preciosas revelações de Sua presença." (Refletindo a Cristo, p. 341)
Se as lutas estão muito fortes, se você se sente como se estivesse se afogando no seco, se está passando por aflições… lembre-se de que Jesus confirmou:
“No mundo, passais por aflições…”, mas, mais importante, nunca se esqueça do que Ele declarou: “…tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16:33)
Está passando por aflições? Pois tenha bom ânimo, meu irmão, minha irmã. Nos piores momentos, nunca se esqueça: Jesus venceu o mundo e suas aflições. E, nEle, você é herdeiro dessa vitória.
"Que maravilhoso pensamento este, de que Jesus tudo sabe acerca das dores e aflições que sofremos! Em todas as nossas aflições foi Ele aflito." (Manuscrito 19, 1892)
"Que as aflições que nos angustiam de maneira tão cruel, se transformem em lições instrutivas, ensinando-nos a prosseguir para o alvo pelo prêmio da soberana vocação em Cristo. Sejamos animados pelo pensamento de que o Senhor logo virá. Alegre-nos o coração essa esperança." (Testemunhos Seletos 3, p. 433, 434)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

6 razões por que o Canto Congregacional está em declínio

Sei que estou tocando em alguns temas sensíveis em um único post: o volume da música; iluminação no meio do culto; preferências musicais; e apresentação versus canto participativo.

Mas aqui está a realidade evidente em muitas congregações: o canto congregacional está em declínio em muitas igrejas. Em algumas delas, ele parece ter desaparecido completamente.

Vou tentar discutir esta realidade a partir de uma perspectiva imparcial, pelo menos na maior parte. […] Quais são, então, as principais razões por que menos pessoas estão cantando na igreja? Por que esse ato de adoração diante de Deus tornou-se nominal em muitos contextos? Aqui estão seis razões:

1. Alguns membros de igreja não se preparam para a adoração 
Vamos ao culto para julgar, para cumprir uma obrigação ou para satisfazer um hábito. Não oramos para que Deus faça sua obra em nós através da adoração. Se não tivermos uma canção em nosso coração, não teremos uma canção em nossas bocas.

2. Não conhecemos as músicas
Cantamos as músicas que conhecemos. Isso é óbvio. Mas se formos trazidos a uma afluência constante de novas canções, sem tempo suficiente para aprendê-las, não participamos. O melhor canto congregacional inclui tanto o que já conhecemos como o novo, mas os líderes de louvor ensinam as novas músicas até que as conheçamos e a amemos.

3. As músicas não são cantadas em uma tessitura que nos possibilita participar
Muitos músicos formados possuem um alcance vocal mais amplo na qual conseguem cantar. A maioria de nós, não. Se se espera que cantemos em uma tessitura que está além de nossa capacidade, não tentaremos. Os líderes de louvor decidem, intencionalmente ou não, se querem conduzir a congregação ou se apresentarem para o público.

4. A iluminação comunica apresentação, em vez de participação 
Participamos no canto quando ouvimos uns aos outros e vemos uns aos outros. Se a iluminação para a congregação é fraca, mas forte para o palco, estamos comunicando que o que temos ali é uma apresentação. Deste modo, falhamos em comunicar que a adoração mediante o canto deve incluir todos os presentes.

5. A música é alta demais para ouvir os outros na congregação
Há um número razoável de comentários sobre os níveis certos de decibéis para a música em um culto de adoração. A questão maior, contudo, é se podemos ouvir os outros. Se ouvimos as vozes dos demais, somos encorajados a participar. Se a música é tão alta que só podemos ouvir a nós mesmos, a maioria de nós terá um ataque de nervos. E depois ficaremos em silêncio.

6. Os líderes de louvor não escutam a congregação
Se os líderes de louvor verdadeiramente desejam conduzir a congregação no canto, eles devem ser capazes de ouvi-la. Alguns podem apenas ouvir os instrumentos e as vozes do palco vindas das caixas. E alguns possuem monitores de ouvido onde eles estão verdadeiramente bloqueando as vozes da congregação. O canto congregacional torna-se poderoso quando bem conduzido. E ele só pode ser bem conduzido se os líderes de louvor puderem ouvir aqueles que eles estão conduzindo.

Pode ser que sua única perspectiva sobre essa questão seja a de que você de fato não liga se a congregação consegue ser ouvida cantando. Mas se seu desejo for verdadeiramente alçar todas as vozes perante Deus, algumas coisas precisarão mudar.

Thom S. Rainer (via Música Sacra e Adoração)

Nota: Vejamos alguns conselhos de Ellen G. White sobre o papel do Canto Congregacional na igreja:
“O canto é uma parte do culto de Deus, porém da maneira estropiada pela qual é muitas vezes conduzido não é nenhum crédito para a verdade, nenhuma honra para Deus. Deve haver sistema e ordem nisto, da mesma maneira que em qualquer outra parte da obra do Senhor”. (Review and Herald, 24 de julho de 1883)

“O canto não deve ser feito apenas por uns poucos. Todos os presentes devem ser estimulados a tomar parte no serviço de canto”. (Evangelismo, p. 507)

“Deus é glorificado por hinos de louvor vindos de um coração puro cheio de amor e devoção para com Ele.” (Testimonies for the Church, vol. 1, p. 50)

“Os que fazem do canto uma parte do culto divino devem escolher hinos com música apropriada para a ocasião, não notas de funeral, porém melodias alegres e, todavia, solenes.” (Evangelismo, p. 508)

“Alguns pensam que, quanto mais alto cantarem, tanto mais música fazem.” (Manuscrito 91, 1903)

"A música faz parte do culto de Deus nas cortes celestiais, e devemos nos esforçar, em nossos hinos de louvor, para nos aproximar tanto quanto possível da harmonia dos coros celestiais. O treino adequado da voz é um aspecto importante na educação, e não deve ser negligenciado." (Patriarcas e Profetas, p. 594)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Ellen White e o preparo para a vinda de Jesus

Jesus em breve voltará. Nós, que cremos nessa verdade solene, devemos advertir o mundo. Devemos mostrar por meio de nossa roupa, de nossas conversas e de nossas ações que nossa mente está fixada em algo melhor do que os negócios e prazeres desta vida efêmera. 

Somos senão peregrinos e estrangeiros aqui. Devemos dar evidência de que estamos prontos, aguardando o aparecimento de nosso divino Senhor. Prezado leitor, permita que o mundo veja que você está a caminho de uma terra melhor – para uma herança imortal que nunca terá fim. Você não se pode permitir dedicar a vida para as coisas deste mundo. Sua preocupação deve estar em se preparar para o lar que o aguarda no reino de Deus.

Como devemos nos preparar? Levando nossos apetites e paixões em sujeição à vontade de Deus e demonstrando em nossa vida os frutos da santidade. Devemos praticar a justiça, amar a beneficência e andar humildemente com Deus. Devemos deixar Cristo entrar em nosso coração e em nosso lar. Nossa felicidade depende do cultivo do amor, da compaixão, da verdadeira cortesia de uns para com outros.

Nossa vida deve ser consagrada ao bem e à felicidade dos outros, como foi a de nosso Salvador. Essa é a alegria dos anjos e o trabalho em que eles estão envolvidos. O espírito do amor abnegado de Cristo é o espírito que existe no Céu e a essência da alegria que existe ali. Esse deve ser nosso espírito, se desejamos estar em condições de fazer parte da sociedade das hostes angelicais. À medida que o amor de Cristo nos enche o coração e nos rege a vida, o egoísmo e o amor da comodidade serão vencidos. Nosso prazer consistirá em fazer a vontade de nosso Senhor, a quem esperamos ver em breve.

Devemos fazer o certo porque é certo, não para evitar a punição ou por medo de alguma grande calamidade que possa nos sobrevir. Desejo fazer o certo pelo prazer que tenho na justiça. Podemos encontrar muita felicidade em fazer o bem aqui, muita satisfação em fazer a vontade de Deus, muito prazer em receber Sua bênção. Mostremos, portanto, que somos homens e mulheres de bom senso, escolhendo nossa parte não com este mundo, mas naquele que há de vir. Permaneçamos em nosso posto, fiéis na execução de cada dever, tendo nossa vida escondida com Cristo em Deus, pois “logo que o Supremo Pastor Se manifestar, [receberemos] a imarcescível coroa da glória” (1 Pedro 5:4). 

Ellen G. White (Meditações Diárias 2013 - Perto do Céu, p. 353)

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Cuidado com as expressões e vícios de linguagem na igreja

É interessante notar como, com o tempo, certas expressões de linguagem e “vícios” de comportamento acabam sendo incorporados e cristalizados no meio religioso (no que diz respeito às expressões, isso é até normal, em qualquer língua falada). A lista abaixo é apenas uma sugestão para ajudar especialmente os líderes e comunicadores das igrejas a aprimorar o trabalho que desempenham e que é muito importante para Deus e para a comunidade:

1. “Vamos cantar o hino ....... para a entrada da plataforma.” A plataforma, sobre a qual ficam o púlpito e as cadeiras do pregador e dos oficiantes, nunca entra, a menos que tenha rodinhas e seja móvel. A plataforma sempre está lá. Quem entra são os oficiantes do culto ou componentes da plataforma. Alguns podem alegar que em “entrada da plataforma” há elipse e metonímia. Correto. Outros podem argumentar que o uso consagrou a expressão, apesar da incorreção. Igualmente correto. Então, para evitar maiores discussões, poderíamos simplesmente cantar para que entrem os oficiantes que compõem a plataforma, sem precisar chamá-los. Que tal?

2. Já que mencionamos a música, é bom lembrar que o ideal é anunciar os hinos pelo nome e depois informar o número deles. Assim, fica melhor: “Vamos cantar o hino ‘Jubilosos Te adoramos’, nº 14.” E nada de dizer “Vamos cantar o hino três, quatro, dois.” O correto é “trezentos e quarenta e dois”.

3. “Senhor, abençoa os que não puderam vir por motivo justo.” Esse tipo de súplica é comum em cultos de oração (às quartas-feiras), quando geralmente há menos pessoas na igreja. Infelizmente, é um tipo de oração legalista que procura excluir das bênçãos de Deus certas pessoas. Se alguém deixou de ir à igreja por “motivo injusto”, aí, sim, é que devemos orar por essa pessoa. O melhor mesmo é ser inclusivo e orar: “Senhor, abençoa aqueles que não puderam vir. Que Teu Espírito esteja com eles neste momento.” Outro detalhe: tem gente que parece ter fixação pelos que não vieram à igreja. O dirigente começa a reunião e já dispara: “Apesar de termos muitos bancos vazios...” ou “Mesmo sendo poucos...” Vamos valorizar os que estão presentes. Pra que ficar falando toda hora de quem não veio? Nenhum apresentador de TV fala sobre os que não estão assistindo ao seu programa... Quem não veio que ore em casa por si mesmo e vá à reunião seguinte, se for possível.

4. “Aqueles que puderem, vamos nos ajoelhar para orar.” Essa também já virou “vício”. É evidente que somente se ajoelharão aqueles que puderem. E os que não puderem por certo serão tão poucos que nem é preciso mencionar. Essa frase é dispensável.

5. Às vezes, quando alguém vai apresentar os oficiantes do culto, na plataforma, diz algo do tipo: “À minha direita, à esquerda dos irmãos...” Isso é quase como chamar a congregação de espacialmente desorientada. Que tal simplesmente dizer: “À direita do pregador...”, ou algo assim? 

6. “Senhor, que Tuas bênçãos venham de encontro às nossas necessidades.” Tenho certeza de que quem ora dessa maneira não quer esbarrar nas bênçãos de Deus nem ser atingido por elas. Vir de encontro é se chocar contra. O correto, então, é pedir que as bênçãos de Deus venham ao encontro das nossas necessidades, ou seja, estejam de acordo com o que precisamos.

7. “Viemos aqui para celebrar...” Viemos é pretérito perfeito de “vir”. Talvez o mais adequado seja dizer “vimos”, presente do indicativo de “vir”. Mas dizer “Vimos aqui” fica muito formal, não é? Então, que tal mudar para algo do tipo: “Estamos aqui para celebrar...”? Na dúvida, saia pela tangente e busque sempre a maneira mais simples (porém correta) de falar.

8. “Senhor, abençoa esta semana que para nós é desconhecida”; “Não temos mérito algum, mas confiamos nos méritos do Teu filho Jesus Cristo”; etc. Não há nada de gramaticalmente errado nessas frases, mas será que quem as usa está pensando no que diz? Aqui quero chamar atenção para as “frases feitas” que povoam nossas orações. Oração, como bem definiu Ellen White, é abrir o coração a Deus como se faz com um amigo. Portanto, as orações, mesmo as feitas em público, deveriam ser dirigidas a Deus com palavras simples e sem modismos ou tradicionalismos ditos automaticamente.

9. “Quando a porta da graça for fechada”; “Depois do tempo da sacudidura”; “O povo remanescente da profecia”; “A pena inspirada registra que...”; “O povo laodiceano”; “Segunda hora”; “Vamos para o lava-pés”; “O departamento de Mordomia”, “Fazer o pôr do sol” (não precisa fazer, ele é automático!); “Devolução do pacto”; etc. Novamente, nada há de errado com essas frases e expressões. Mas imagine que você não é adventista ou não é cristão e está visitando uma igreja adventista pela primeira vez. Como interpretaria essas expressões? Entenderia alguma coisa? Portanto, os pregadores devem tanto quanto possível evitar o “adventistês”. Se tiverem que usar termos do jargão adventista, o melhor é explicá-los em seguida. Nossa mensagem tem que ser clara, simples e universal. 

10. Devemos evitar também termos denominacionais (esse é um deles) que se referem à estrutura da igreja e que não têm muito sentido para quem não os conhece. Imagine a cena: alguém anuncia que naquela manhã de sábado falarão "o pastor da União e o pastor da Divisão". Alguém pode pensar que um é bom, pois promove a união, e o outro é mau. Assim, o ideal é explicar os termos ou simplesmente dizer: “Hoje falarão o pastor fulano, diretor de Educação da Igreja no Estado de São Paulo, e o pastor cicrano, líder de Jovens para a América do Sul.” Por que “diretor” e “líder”? Porque é mais claro que “departamental”.

11. Que tal promover o culto jovem? Nos dois sentidos: promover a frequência ao culto e o nome dele desse jeito. “Culto JA” não tem sentido (no meu Estado de origem, JA é Jornal do Almoço). E “programa dos jovens” soa ainda pior. Culto jovem é mais bonito.

12. As pessoas oram, cantam alguns hinos e depois o dirigente diz: “Para começarmos o culto, cantemos o hino...” A oração e os hinos anteriores não eram parte do culto? Eram o que, então?

13. Outro “vício” envolve a palavra “possa” (e suas variantes) e até lança dúvida sobre o poder de Deus. Quer um exemplo? “Senhor, que Tu possas nos perdoar os pecados. Que Tu possas conceder a cura ao irmão fulano e que nós possamos ser fieis a Ti.” Além de ficar sonoramente feio, quando repetido, o “possa” aplicado a Deus relativiza o poder dEle. É claro que Deus pode! Talvez Ele não queira algumas coisas, mas que pode, pode. Assim, melhor seria orar: “Senhor, perdoa nossos pecados. Se Tu quiseres, cura o irmão fulano e ajuda-nos a ser fieis a Ti.”

14. Imperativos são outro problema. Errado: “Senhor, cure”, “Senhor, ouça”, “Senhor, atenda”, “Senhor, faça”. Correto: “Senhor, cura”, “Senhor, ouve”, “Senhor, atende”, “Senhor, faze”. Ok, essa é um pouco mais complicada, mas, com o tempo, um pouco de estudo e atenção, é possível orar direitinho sem perder a espontaneidade. Devemos sempre oferecer o melhor a Deus, inclusive nosso melhor português possível. 

15. Como mais ninguém (a não ser os mais antigos e alguns preciosistas) usa a palavra “genuflexos”, basta dizer “ajoelhados”. Sim, porque “de joelhos” (desde que tenhamos pernas completas) sempre estaremos, mesmo quando ajoelhados. O mesmo vale para “de pé”. O certo é “em pé”. (Porém, fica aqui o registro de que o Dicionário Houaiss já aceita a expressão “de joelhos”.)

16. Devemos evitar o uso abusivo da palavra “alma”. Exemplos: “Foram batizadas mais de quinhentas almas”; “Sair para a conquista de almas”; “Ganhador de almas”; etc. Para os que entendem “alma” como uma entidade separada do corpo e que sai dele quando a pessoa morre, falar em “conquista de almas” talvez possa configurar a intenção de proceder a essa separação, ou seja, praticar assassinato! Melhor substituir a palavra “alma” por “pessoa”, que é exatamente o sentido bíblico.

17. Para encerrar esta lista (mas não o assunto e a preocupação que ele levanta), não poderíamos deixar de fora expressões exclusivistas, como, por exemplo, “não adventistas”. Você conhece alguém que gosta de ser chamado “não”? “Apresento-lhes este meu não parente.” Horrível, né? Então, evitemos termos que dão a impressão de que somos um clube fechado, exclusivo. Nada de “não adventista”, “mundanos”, etc. Podemos nos referir a “amigos visitantes”, “irmãos evangélicos”, etc. É mais simpático.

Resumindo: temos que descomplicar nossa linguagem e liturgia a fim de que não criemos barreiras para a compreensão da mensagem que é simples e clara: Deus nos ama e quer nos salvar.

Michelson Borges (via Criacionismo)