quinta-feira, 22 de junho de 2017

Anjos: O que a Bíblia e o Espírito de Profecia dizem sobre eles

Ajudantes de Deus
Os anjos são chamados de diversas formas na Bíblia. Além da palavra anjo em si, esses seres são chamados de “querubins” e “serafins” (Gênesis 3:24, Ezequiel 10:1, Isaías 6:2, NVI), e a palavra arcanjo é muitas vezes aplicada ao próprio Cristo (1 Tessalonicenses 4:16; apesar de Cristo ser um Ser Divino e, portanto, não um anjo criado). A Bíblia ainda dá nomes pessoais a pelo menos dois anjos: Gabriel e Apoliom (Daniel 9:21, Lucas 1:26; Apocalipse 9:11).

A palavra anjo vem da palavra grega aggelos, que significa “mensageiro”. Muito sobre os anjos é misterioso, mas não o seu trabalho. Eles são ajudantes de Deus.
"Anjos de Deus vigiam sobre nós. Na Terra há milhares e dezenas de milhares de mensageiros celestes, enviados pelo Pai para impedir Satanás de obter qualquer vantagem sobre os que se recusam a andar no caminho do mal. E esses anjos, que guardam os filhos de Deus na Terra, estão em comunicação com o Pai, no Céu." (Nos Lugares Celestiais, p. 99)
Como nós, os anjos foram criados por Deus. “Porque nele foram criadas todas as coisas que estão no céu, e que estão na terra, visíveis e invisíveis”, explica Paulo (Colossenses 1:16, KJV). 
"O Pai operou por Seu Filho na criação de todos os seres celestiais. Desde os séculos eternos era o desígnio de Deus que todos os seres criados, desde os luminosos e santos serafins até ao homem, fossem um templo para morada do Criador." (O Desejado de Todas as Nações, p. 161)
Embora não saibamos quantos anjos Deus criou, a Bíblia nos dá uma dica. Apocalipse 5:11 descreve “…milhões de milhões e milhares de milhares” ao redor do trono de Deus. O número desses anjos provavelmente permanece inalterado desde que foram criados, pois esses seres celestiais não reproduzem nem morrem (veja Mateus 22:30).
"Milhares de milhares e milhões de milhões eram os mensageiros celestiais vistos pelo profeta Daniel. O apóstolo Paulo declarou serem 'muitos milhares' (Hebreus 12:22)." (A Verdade sobre os Anjos, p. 12)
Os anjos têm poderes e habilidades muito além das nossas. 
"Como mensageiros de Deus, saem 'à semelhança dos relâmpagos' (Ezequiel 1:14), tão deslumbrante é sua glória e tão rápido o seu voo." (A Verdade sobre os Anjos, p. 10)
Livre de corpos físicos, a Bíblia os chama de “espíritos ministradores” (Hebreus 1:14), eles podem influenciar nossas vidas, mesmo quando nós não os vemos. 
"Precisamos conhecer melhor do que conhecemos a missão dos anjos. Convém lembrar que cada verdadeiro filho de Deus tem a cooperação dos seres celestiais. Exércitos invisíveis, de luz e poder, auxiliam os mansos e humildes que creem nas promessas de Deus e as reclamam. Querubins, serafins e anjos magníficos em poder, estão à destra de Deus, sendo 'todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação' (Hebreus 1:14)" (Serviço Cristão, p. 197)
Em muitos relatos bíblicos, eles aparecem e desaparecem à vontade. Certa vez, quando Eliseu e seu servo foram cercados por forças hostis, Deus os deixou ver uma grande infantaria de anjos invisíveis lutando a seu lado contra o inimigo (2 Reis 6:15-17). 
"No segundo livro dos Reis lemos o modo como santos anjos vieram em missão protetora ao servo escolhido de Deus. Entre o servo de Deus e a multidão dos inimigos armados estava um grupo circundante de anjos celestiais. Eles tinham vindo com grande poder, não para destruir, não para pedir homenagem, mas para acampar em torno e ministrar aos desajudados e fracos servos do Senhor." (Profetas e Reis, p. 256)
Na sua forma visível, os anjos aparecem ocasionalmente com asas (Isaías 6:2) ou brilhando com uma luz gloriosa (Mateus 28:3). Mas eles podem aparecer em qualquer forma que Deus desejar que eles apareçam, mesmo que seja falando pela boca de uma jumenta (Números 22:28)! Eles frequentemente aparecem como seres humanos, como quando os anjos ficaram na casa do idoso Abraão prometendo-lhe um filho (Gênesis 18). É por isso que a Bíblia nos adverte que se fizermos uma bondade a um desconhecido, podemos ter hospedado “anjos sem o saber” (Hebreus 13:2).
"Deus conferiu grande honra a Abraão. Anjos do Céu andavam e falavam com ele como faz um amigo a outro." (Patriarcas e Profetas, 138)
Os anjos nunca são descritos na Bíblia como crianças bochechudas aladas, como alguns artistas o descrevem. Estes mini-querubins refletem uma concepção errônea de que os bebês que morrem se transformam em anjos, uma ideia que não é encontrada na Bíblia.

Anjos Maus
Em comum com nós, os anjos têm livre-arbítrio, uma qualidade que tem desempenhado um papel importante na nossa história espiritual humana. Foi na época da criação da humanidade que um anjo, nutrindo um orgulho perverso por sua exaltada posição, declarou: “serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14). Ele convenceu um terço dos anjos para acompanhá-lo em uma rebelião contra Deus e tudo o que Deus representa (ver Apocalipse 12:3,4). Este vilão tornou-se, a quem chamamos de Satanás, conseguiu fazer Adão e Eva desobedecerem a Deus e assim trouxe a maldição do pecado no mundo todo.
"Houve então batalha no Céu. O Filho de Deus, o Príncipe dos Céus, junto com Seus anjos leais, empenhou-se em conflito com o arqui-rebelde e os que a este se uniram. O Filho de Deus e os anjos sinceros e leais prevaleceram, ao passo que Satanás e seus simpatizantes foram expulsos do Céu." (The Spirit of Prophecy 1:23)
Assim, torna-se evidente que nem todos os anjos são bons. Satanás e seus anjos rebeldes são responsáveis por toda a dor e infelicidade no mundo, guerras, catástrofes, doenças e até a própria morte. Nós, seres humanos somos capturados nesta batalha cósmica, pelos anjos de Satanás que são mestres da tentação: eles conseguem influenciar a todos nós, em algum momento ou outro, a desobedecer a Deus. “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne”, adverte Paulo, mas “contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Efésios 6:12).
"Os espíritos maus, criados a princípio sem pecado, eram iguais, em sua natureza, poder e glória, aos seres santos que ora são os mensageiros de Deus. Mas, caídos pelo pecado, acham-se coligados para a desonra de Deus e destruição dos homens. Unidos com Satanás em sua rebelião, e com ele expulsos do Céu, têm, através de todas as eras que se sucederam, cooperado com ele em sua luta contra a autoridade divina. Somos informados, nas Escrituras, acerca de sua confederação e governo, suas várias ordens, inteligência e astúcia, e de seus maus intuitos contra a paz e felicidade dos homens." (A Verdade sobre os Anjos, p. 14)
Os Anjos de Deus
Felizmente, os anjos de Deus são mais do que um jogo de Satanás e seus anjos. A Bíblia retrata os anjos bons ajudando os seres humanos de várias maneiras.

Proteção e livramento: Anjos retiraram Pedro da prisão e, quando Daniel foi confinado em uma cova de leões famintos, um anjo impediu que as feras o atacassem (ver Daniel 6:22). Deus promete que “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Salmo 34:7).
"Um anjo da guarda é designado a todo seguidor de Cristo. Estes vigias celestiais protegem aos justos do poder maligno." (A Verdade sobre os Anjos, p. 15)
Orientação: Na época do nascimento de Jesus, José, Maria, e os pastores receberam a orientação de anjos (Mateus 1:20, Lucas 1:26, 27; 2:8, 9). Depois que Jesus voltou ao céu, anjos aconselharam os apóstolos sobre o trabalho da recém-fundada Igreja Cristã (Atos 8:26).
"Quando inconscientemente estivermos em perigo de exercer influência má, os anjos estarão ao nosso lado, orientando-nos para um melhor procedimento, escolhendo-nos as palavras, e influenciando-nos as ações." (Parábolas de Jesus, pp. 341 e 342)
Conforto e ajuda: Quando Jesus foi tentado por Satanás, “anjos vieram e o serviram” (Mateus 4:11). E anjos trouxeram alimentos a Elias quando ele se escondeu do ímpio rei Acabe (1 Reis 19:6).
"Anjos de luz e poder sempre estão perto, a fim de proteger, confortar, curar, instruir e inspirar. A mais elevada educação, a mais genuína cultura e o mais exaltado serviço possíveis aos seres humanos neste mundo, pertencem-lhes. (The Review and Herald, 11 de Julho de 1912)
Comunicação: Anjos entregam as mensagens de Deus. Moisés recebeu os Dez Mandamentos “por meio de anjos” (Atos 7:53; ver Gálatas 3:19). Eles também trazem respostas às orações, como aconteceu muitas vezes com Daniel (Daniel 9:20-22).
"À medida que a oração de Daniel avança, o anjo Gabriel voa rapidamente desde as cortes celestiais, para assegurar ao profeta que suas orações haviam sido ouvidas e atendidas. Este poderoso anjo fora comissionado para dar sabedoria e compreensão a Daniel — para abrir diante dele os mistérios de eras futuras. Assim, enquanto buscava sinceramente conhecer e compreender a verdade, Daniel foi posto em comunhão com o mensageiro delegado pelo Céu." (The Review and Herald, 8 de Fevereiro de 1881)
Anjos e Deus
Embora mais potentes do que os seres humanos, os anjos não são deuses. A Escritura diz que há um só Deus (Deuteronômio 6:4), que é todo-poderoso, onisciente e presente em todos os lugares ao mesmo tempo, qualidades que os anjos não têm. Os anjos recebem suas atribuições de Deus, que sempre está no comando (Salmo 91:11). Eles falam apenas o que Deus lhes dá para dizer e fazem apenas o que Deus pede que eles façam.
"Todos os seres criados vivem pela vontade e poder de Deus. São subordinados recipientes da vida de Deus. Do mais alto serafim ao mais humilde dos seres animados, todos são providos da Fonte da vida." (O Desejado de Todas as Nações, p. 785)
Existe uma maneira em que nós seres humanos temos uma vantagem sobre os anjos. Como os anjos nunca caíram em pecado, a alegria de aceitar a Cristo e receber o Seu perdão é uma experiência que eles nunca conhecerão. Deus chama a esses poderosos seres celestiais, que tem acesso ilimitado à justiça celestial, para “servir aqueles que hão de herdar a salvação” (Hebreus 1:14).
"Deus exorta Suas criaturas a que afastem a atenção da confusão e perplexidade que as rodeiam, e admirem a Sua obra. Os corpos celestes são dignos de contemplação. Deus os fez para benefício do homem, e à medida que estudarmos Suas obras, anjos de Deus estarão ao nosso lado para iluminar nossa mente e guardá-la do engano satânico." (The S.D.A. Bible Commentary 4:1145)
Anjos e Adoração
Quando não estão em missão divina, os anjos passam suas vidas em adoração. O livro do Apocalipse descreve a essência do serviço da igreja celestial, onde João o revelador ouviu a voz de milhões de anjos cantando, “Digno é o Cordeiro que foi morto, de receber o poder e riqueza e sabedoria, força e honra e glória e louvor!" Este coro era acompanhado por “todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há” (Apocalipse 5:11-13).
"Ouve-se a voz de Deus proclamando que a justiça está satisfeita. Está vencido Satanás. Os filhos de Cristo, que lutam e se afadigam na Terra, são 'agradáveis... no Amado' (Efésios 1:6). Perante os anjos celestiais e os representantes dos mundos não caídos, são declarados justificados. Onde Ele está, ali estará a Sua igreja. 'A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram' (Salmos 85:10). Os braços do Pai circundam o Filho, e é dada a ordem: 'E todos os anjos de Deus O adorem' (Hebreus 1:6). Com inexprimível alegria, governadores, principados e potestades reconhecem a supremacia do Príncipe da Vida. A hoste dos anjos prostra-se perante Ele, ao passo que enche todas as cortes celestiais a alegre aclamação: 'Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças' (Apocalipse 5:12)." (O Desejado de Todas as Nações, p. 834)
O Apocalipse também nos assegura que o domínio de Satanás sobre esta terra é limitado. João viu três anjos voando pelo céu anunciando o julgamento final de Deus e a queda e punição de Satanás (Apocalipse 14:6-12). Esta profecia se tornará realidade na batalha final da Terra, quando Satanás reunirá suas forças para um ataque contra a Cidade Santa. Eles “cercaram o acampamento dos santos e a cidade amada” (Apocalipse 20:9), escreveu João. Mas a destruição de Satanás é certa, pois “…um fogo desceu do céu e os destruiu. E o Diabo, que os havia enganado, foi jogado no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 20:9, 10). 
"Mas agora chegado é o tempo em que a rebelião deve ser finalmente derrotada, e descobertos a história e caráter de Satanás. Em seu último e grande esforço para destronar a Cristo, destruir Seu povo e tomar posse da cidade de Deus, o arquienganador foi completamente desmascarado. Os que a ele se uniram, vêem o fracasso completo de sua causa. Os seguidores de Cristo e os anjos leais contemplam a extensão total de suas maquinações contra o governo de Deus. É ele objeto de aversão universal. Por uma vida de rebelião, Satanás e todos quantos a ele se unem colocam-se em tanta desarmonia com Deus, que Sua própria presença lhes é um fogo consumidor. A glória dAquele que é amor os destruirá." (O Grande Conflito, p. 670)
Quando isso estiver feito, eu e você teremos a eternidade para nos tornar amigos dos anjos de Deus!
"Todo remido compreenderá o serviço dos anjos em sua própria vida. Que maravilha será entreter conversa com o anjo que o guardou desde seus primeiros momentos, que lhe vigiou os passos e cobriu a cabeça no dia de perigo, que com ele esteve no vale da sombra da morte, que assinalou o seu lugar de repouso, que foi o primeiro a saudá-lo na manhã da ressurreição, e dele aprender a história da interposição divina na vida individual, e da cooperação celeste em toda a obra em prol da humanidade." (Educação, p. 305)
Adaptação do artigo escrito por Loren Seibold, publicado na revista Signs of The Times

Quem é o “poderoso caçador” Ninrode? (Gênesis 10:8-12)

A pessoa de Ninrode é intrigante, e encontramos nos escritos judaicos, cristãos e islâmicos quantidade significativa de especulação a seu respeito. O que o torna intrigante é o fato de que, no quadro das nações (Gênesis 10), ele é a única pessoa sobre a qual temos uma declaração de realizações, embora o que é dito sobre ele seja um pouco superficial. Diremos algo sobre possíveis paralelos históricos, examinaremos o texto bíblico e mencionaremos brevemente algumas especulações pós-bíblicas sobre ele.

1. Ninrode na História
O texto bíblico descreve Ninrode como uma pessoa que viveu na região da Mesopotâmia. Estudiosos tentaram encontrar, sem sucesso, um paralelo no antigo Oriente Próximo que corresponda ao que a Bíblia diz sobre ele. Ele foi identificado com Gilgamés, pessoa que, segundo a literatura babilônica, sobreviveu ao dilúvio. Mas, essa teoria foi rejeitada. O mais popular é encontrar nele traços do deus Ninurta, o deus mesopotâmio da fertilidade. Porém, mais uma vez, os paralelos não são fortes o suficiente para provar o caso. Além disso, o texto bíblico não sugere que ele seja uma divindade. O que sabemos sobre ele é o que as Escrituras dizem.

2. Ninrode na Bíblia
A primeira coisa mencionada pelo texto bíblico é que Ninrode foi “o primeiro a ser poderoso na terra” (Gênesis 10:8, ARA), provavelmente significando que ele foi o primeiro em tal categoria (conforme Gênesis 9:20). A palavra “poderoso” significa, como indica a passagem, que ele era política e militarmente poderoso. Segundo, ele é descrito como “poderoso caçador” (Gênesis 10:9), que significa não apenas que era um bom caçador, mas que também era um conquistador militar poderoso. A frase “diante do Senhor” tem sido difícil de interpretar. A maior dificuldade é decidir quando significa que o Senhor cuidava de Ninrode, ou que Ninrode agia desafiando o Senhor, “contra Ele” (Salmos 66:7). O fato de que Ninrode esteja diretamente associado com Babilônia e com a terra de Sinar infere uma conexão negativa com o Senhor. Além disso, se tomarmos o significado hebraico do nome Ninrode (“nos rebelaremos”), a implicação é que ele se rebelou contra Deus. Se esta interpretação for correta, o provérbio citado no texto: “Pelo que se diz: ‘Ninrode poderoso caçador diante do Senhor’”, estaria se referindo a uma pessoa poderosa agindo contra a vontade de Deus. Terceiro, ele é descrito como a primeira pessoa a estabelecer um reino “o princípio do seu reino” (Gênesis 10:10, ARA). Localizava-se nas antigas cidades de Babel (Babilônia), Ereque, Acade e Calné, na região de Sinar, Baixa Mesopotâmia. De lá Ninrode foi para o norte conquistar terras na Assíria (Gênesis 10:11), Alta Mesopotâmia (veja Miqueias 5:6).

3. Ninrode e as Especulações Pós-Bíblicas
A tradição judaica argumenta que Ninrode foi o primeiro caçador, portanto, a pessoa que introduziu a carne na dieta humana. A tradição diz que ele se envolveu na construção da Torre de Babel (Gênesis 11:1-4), e após o povo ser disperso ele permaneceu em Sinar para construir seu reino. Tanto a tradição judaica como a islâmica indica que havia um relacionamento hostil entre Ninrode e Abraão. A principal razão era que Ninrode era idólatra e Abrão foi chamado pelo Senhor por adorar somente a Ele. Algumas versões das tradições dizem que ele colocou Abraão em uma fornalha tão quente que suas chamas mataram milhares, mas Abraão saiu ileso. Em algumas tradições ele é identificado com Anrafel, um dos reis que atacou Sodoma e Gomorra (Gênesis 14:1) e que foi vencido por Abraão. As tradições e especulações, com raras exceções, descreve Ninrode como um símbolo do mal.

Fiz um resumo de algumas das teorias pós-bíblicas sobre Ninrode para alertá-lo do perigo de ir além do que está escrito. Essas tradições não devem ser usadas para definir convicções pessoais ou para especular sobre o papel profético de Babilônia. Só podemos afirmar o que o texto bíblico diz sobre Ninrode.

Angel Manuel Rodríguez (via Revista Adventist World)

Afinal... o selo de Deus é o sábado ou o Espírito Santo?

Algumas pessoas tem dificuldade de harmonizar a função do Espírito Santo e o papel do sábado no selamento final do povo remanescente de Deus. Não resta dúvida de que a habitação do Espírito Santo na vida do crente é a maior evidência de que este se encontra em estado de salvação (ver Romanos 8:1-17; Gálatas 5:16-26). Por esse motivo, o apóstolo Paulo se referiu ao Espírito Santo como “penhor” (2 Coríntios 1:21-22) e “selo” (Efésios 1:13; 4:30) da salvação. Ellen G. White acrescenta que “a todos os que aceitam a Cristo como um Salvador pessoal, o Espírito Santo vem como consolador, santificador, guia e testemunha” (Atos dos Apóstolos, p. 49).

Além disso, o Espírito Santo é também o agente selador e capacitador dos crentes para o cumprimento da missão evangélica. Comentando os derradeiros momentos antes da ascensão de Cristo, Ellen G. White diz que “a visível presença de Cristo estava prestes a ser retirada dos discípulos, mas uma nova dotação de poder lhes pertencia. O Espírito Santo ser-lhes-ia dado em Sua plenitude, selando-os para a sua obra” (Atos dos Apóstolos, p. 30). Em relação ao Pentecostes, a mesma autora afirma que “os que creram em Cristo foram selados pelo Espírito Santo” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 6, p. 1055).

O processo de restauração das verdades bíblicas pelos pioneiros adventistas do sétimo dia também foi selado, ou seja, aprovado pelo Espírito Santo. “Muito bem sabemos nós como foi estabelecido cada ponto da verdade, e sobre ele posto o selo pelo Espírito Santo de Deus” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, pp. 103-104). Descrevendo sua participação em algumas reuniões em South Lancaster, Massachusetts, na década de 1880, Ellen G. White menciona que “o Senhor ouviu nossas súplicas, e Seu Espírito colocou o Seu selo à nossa obra” (Review and Herald, 15 de janeiro de 1884, p. 33). Ainda hoje, Deus “deseja que Sua obra seja levada avante com proficiência e exatidão, de modo que possa pôr sobre ela o selo de Sua aprovação” (Atos dos Apóstolos, p. 96).

Mas a função seladora do Espírito Santo no plano da salvação não conspira contra a identificação do sábado como “o selo do Deus vivo” (Apocalipse 7:2; 9:4) no desfecho da grande controvérsia entre a verdade e o erro (ver Apocalipse 12:17; 14:9-12). Em realidade, o Espírito Santo é concedido aos que obedecem a Deus (Atos 5:32) e, por essa razão, Ele é chamado por Cristo de “o Espírito da verdade” (João 14:17; 15:26; 16:13). Sua obra é conduzir os seguidores de Cristo “a toda a verdade” (João 16:13), da qual faz parte o quarto mandamento do decálogo, que ordena a observância do sábado (Êxodo 20:8-11; conforme Salmos 119:142).

Ellen G. White afirma que “o sábado foi inserido no decálogo como o selo do Deus vivo, identificando o Legislador, e tornando conhecido o Seu direito de governar. Era o sinal entre Deus e Seu povo, um teste de sua obediência a Ele. Moisés foi ordenado a lhes dizer da parte do Senhor: ‘Certamente, guardareis os Meus sábados; pois é sinal entre Mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifica’ [Êxodo 31:13]. E quando alguns do povo saíram no sábado a recolher o maná, o Senhor indagou: ‘Até quando recusareis guardar os Meus mandamentos e as Minhas leis?’ [Êxodo 16:28]” (Sings of the Times, 13 de maio de 1886, p. 273).

“A obra do Espírito Santo é convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. O mundo só será advertido ao ver os que creem na verdade sendo santificados pela verdade, agindo por princípios altos e santos, demonstrando em sentido alto e elevado a linha divisória entre aqueles que guardam os mandamentos de Deus e aqueles que os pisoteiam a pés. A santificação do Espírito demarca a diferença entre aqueles que tem o selo de Deus e aqueles que guardam um dia de repouso espúrio” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 7, p. 980).

Portanto, a habitação santificadora do Espírito Santo na vida é o selo da salvação do crente, que permanece nele enquanto este permitir que o Espírito Santo o conduza “a toda a verdade” (João 16:13). No conflito final entre a verdade e o erro, a humanidade acabará se polarizando entre os que observam o sábado bíblico instituído por Deus e os que veneram o domingo de origem pagã. Nesse contexto, o sábado assumirá a função de sinal escatológico de lealdade incondicional a Deus.

Alberto Timm (via Centro White)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Rodrigo Hilbert é intimado após abater filhote de ovelha na TV

O apresentador Rodrigo Hilbert foi intimado a prestar depoimento na 14ª DP do Rio de Janeiro, no Leblon, após a polêmica envolvendo a morte de um cordeiro em seu programa Tempero de Família, no canal pago GNT. Uma ONG de proteção aos animais prestou queixa na delegacia de São Joaquim, em Santa Catarina, onde as gravações do programa foram realizadas. O episódio, exibido em março de 2016, mostrava a realidade dos produtores rurais em Santa Catarina. Na sequência levada ao ar, Rodrigo apareceu capturando e abatendo um cordeiro. O programa causou revolta nas redes sociais, principalmente por exibir cenas do sangue escorrendo.

Durante o programa de culinária, o apresentador ensinou a fazer um churrasco rústico de ovelha. Para isso, ele abateu um borrego de seis meses. A atração mostrou Rodrigo capturando o animal, que ainda estava em fase de amamentação, mas não exibiu o momento em que o filhote foi degolado. A edição optou por exibir o sangue do borrego escorrendo até a bacia abaixo dele. Em seguida, Rodrigo e um pecuarista carnearam todo o animal – retirando os órgãos internos, a cabeça e o pelo. Enquanto o fatiava, o apresentador comentou que o filhote era tão macio que parecia um sofá. Por fim, a carne foi temperada para o churrasco que se seguiu. (Com informações de ZH)

Na época, Rodrigo Hilbert explicou:
"Não tínhamos a intenção de incitar qualquer violência contra animais, mas apenas de registrar o dia a dia desses trabalhadores que lutam para criar e alimentar suas famílias. No entanto, por também respeitar aqueles que se manifestaram contra as cenas exibidas no programa, retiraremos as imagens em questão do episódio."
Nossa cultura aceita que um animal seja criado para ser abatido. Sim, come-se animais por uma questão cultural. Isto significa que a sociedade aceita que este animal será desmamado precocemente, separado da sua mãe, receberá ração que o ajudará a ficar pronto para o abate em menos tempo e deixar a carne mais macia para o consumo, além de receber muitas vacinas e antibióticos. Além de nada saudável, homens e mulheres sustentam uma indústria que sobrevive e enriquece da crueldade de animais.

Você sabe o que é a carne de vitela ou baby beef? É a carne de bezerros com menos de 1 ano de idade, alimentados por uma dieta líquida carente de ferro, que substitui o leite nas primeiras semanas e, que depois é substituída por ração concentrada. Estes animais são criados confinados em baias individuais, onde mal conseguem exercer algumas atividades básicas como caminhar e se virar. Não podem tomar banho de sol. As barras das baias são se madeira, porque se fossem de ferro, os animais as lamberiam de tanto que são deficientes. É cruel demais. E, se fosse com você?

Você pode ler mais sobre abate de animais para consumo aqui. Na internet também é possível assistir os documentários “A Carne é Fraca” e “Terráqueos”. A questão que levanto neste post é ”Será que Deus faz vista grossa para este assunto? Será que ele não se importa com animais que ele criou com tanto amor?” Vamos ver o que diz a Palavra de Deus.
“A todo aquele que derramar sangue, tanto homem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo.” (Gênesis 9:5)
Quando Deus libertou o povo de Israel do Egito, pretendia que eles fossem diferentes dos outros povos, que testemunhassem de Deus através de sua vida, um exemplo para os outros povos. Deu-lhes o maná como alimento. Mas, o povo habituado com os costumes pagãos do Egito reclamava e o que pediam para comer?
“Deliberadamente puseram Deus à prova, exigindo o que desejavam comer. Duvidaram de Deus, dizendo: Poderá Deus preparar uma mesa no deserto? Sabemos que quando ele feriu a rocha a água brotou e jorrou em torrentes. Mas conseguirá também dar-nos de comer? Poderá suprir de carne o seu povo?” (Salmos 78:18-20)
Quais foram as consequências de suas escolhas?
“O Senhor os ouviu e enfureceu-se; com fogo atacou Jacó, e sua ira levantou-se contra Israel, pois eles não creram em Deus nem confiaram no seu poder salvador. Contudo, ele deu ordens às nuvens e abriu as portas dos céus; fez chover maná para que o povo comesse, deu-lhe o pão dos céus. Os homens comeram o pão dos anjos; enviou-lhes comida à vontade. Enviou dos céus o vento oriental e pelo seu poder fez avançar o vento sul. Fez chover carne sobre eles como pó, bandos de aves como a areia da praia. Levou-as a cair dentro do acampamento, ao redor das suas tendas. Comeram à vontade, e assim ele satisfez o desejo deles. Mas, antes de saciarem o apetite, quando ainda tinham a comida na boca, acendeu-se contra eles a ira de Deus; e ele feriu de morte os mais fortes dentre eles, matando os jovens de Israel. A despeito disso tudo, continuaram pecando; não creram nos seus prodígios. Por isso ele encerrou os dias deles como um sopro e os anos deles em repentino pavor. Sempre que Deus os castigava com a morte, eles o buscavam; com fervor se voltavam de novo para ele. Lembravam-se de que Deus era a sua Rocha, de que o Deus Altíssimo era o seu Redentor. Com a boca o adulavam, com a língua o enganavam; o coração deles não era sincero; não foram fiéis à sua aliança. Contudo, ele foi misericordioso; perdoou-lhes as maldade se não os destruiu. Vez após vez conteve a sua ira, sem despertá-la totalmente.” (Salmos 78:21-38)
O Espírito de Profecia também trata deste assunto:
“Deus requeira supremo amor a Deus e amor imparcial ao próximo, o vasto alcance dos seus reclamos toca também às criaturas mudas que não podem expressar em palavras suas necessidades e sofrimentos. 'O jumento que é de teu irmão ou o seu boi não verás caídos no caminho e deles te esconderás; com ele os levantarás, sem falta.' (Dt 22:4). Aquele que ama a Deus, não somente amará o seu semelhante, mas considerará com terna compaixão as criaturas que Deus fez. Quando o Espírito de Deus está no homem, leva-o a aliviar o sofrimento antes que a criá-lo.” (Beneficência Social, p. 48)
“Deus deu aos nossos primeiros pais o alimento que pretendia que a humanidade comesse. Era contrário ao Seu plano que se tirasse a vida a qualquer criatura. Não devia haver morte no Éden. Os frutos das árvores do jardim eram o alimento que as necessidades do homem requeriam. Deus não deu ao homem permissão para comer alimento animal, senão depois do dilúvio. Fora destruído tudo que pudesse servir para a subsistência do homem, e diante da necessidade deste, o Senhor deu a Noé permissão de comer dos animais limpos que ele levara consigo na arca. Mas o alimento animal não era o artigo de alimentação mais saudável para o homem.” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 373)
“Não é tempo de que todos visem dispensar a carne na alimentação? Como podem aqueles que estão buscando tornar-se puros, refinados e santos a fim de poderem fruir a companhia dos anjos celestes, continuar a usar como alimento qualquer coisa que exerça tão nocivo efeito na alma e no corpo? Como podem eles tirar a vida às criaturas de Deus a fim de consumirem a carne como uma iguaria? Volvam eles antes à saudável e deliciosa comida dada ao homem no princípio, e a praticarem eles próprios e ensinarem a seus filhos, a misericórdia para com as mudas criaturas que Deus fez e colocou sob nosso domínio.“ A Ciência do Bom Viver, p. 317
“Os animais são muitas vezes transportados a longas distâncias e sujeitos a grandes sofrimentos para chegar ao mercado. Tirados dos verdes pastos e viajando por fatigantes quilômetros sobre cálidos e poentos caminhos, ou aglomerados em carros sujos, febris e exaustos, muitas vezes privados por muitas horas de alimento e água, as pobres criaturas são guiadas para a morte a fim de que seres humanos se banqueteiem com seu cadáver. 'Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma. (1Pd 2:11)'". (A Ciência do Bom Viver, p. 314)
"Pensem na crueldade que o regime cárneo envolve para com os animais, e seus efeitos sobre os que a infligem e nos que a observam. Como isso destrói a ternura com que devemos considerar as criaturas de Deus". (Conselhos sobre Regime Alimentar, p. 383)
É interessante notar que Ellen G. White, escrevendo no século 19, dizia que o uso frequente da carne de animais mortos dessensibiliza o ser humano. A verdade é que não fomos criados para nos alimentar de animais, afinal, a morte não deveria existir. A dieta que Deus estabeleceu para o ser humano, lá no Éden, consistia de frutas e sementes. A autorização para o uso da carne foi emergencial, após o dilúvio, o que não significa que o ser humano deveria continuar usando esse tipo de alimento permitido. Quanto mais voltarmos ao propósito de Deus, também nesse aspecto, melhor.

Deus se importa com Suas criaturas. Ele as ama. Não devemos causar o sofrimento animal. Não devemos sustentar uma indústria que causa tanta morte e sofrimento. O nosso papel, dado a Deus no Éden, é cuidar, proteger as criaturas dEle.

O ser humano está cada dia mais frio e não se importa mais com a dor alheia. É preciso renunciar a tudo o que nos deixa frios e nos afasta de Deus.

Que possamos amar as criaturas de Deus e fazer a vontade do nosso Criador.

Ter ou não ter filhos: eis a questão

Os dados do IBGE mostram que cresceu significativamente o número de casais brasileiros que opta por não ter filhos. Hoje, são 19,9%. Em 1960, a média de filhos por mulher era 6,3. Hoje, é 1,7. As brasileiras, especialmente as que têm maior escolaridade e renda, além de terem menos filhos (ou não terem), estão adiando a maternidade para depois dos 30 anos.

Para a minha geração, a principal identidade feminina era (e, para muitas mulheres, ainda é) a de mãe e esposa. Mas, apesar da cobrança social e da pressão das amigas e da família, muitas mulheres decidem por não terem filhos. Muitas são questionadas de várias formas:

"Você acha normal não querer filhos? Você tem alguma doença? Algum trauma psicológico?" 

"Quem vai cuidar de você na velhice? Você quer ser uma velha infeliz, solitária e abandonada?" 

"Você não sabe que só tendo filhos vai se sentir plena como mulher?"

"Lembra do poema do Vinícius? 'Filhos? Melhor não tê-los. Mas se não os temos, como sabê-lo?'"

E você? Acredita que as mulheres e os homens que decidem não ter filhos irão, na velhice, se arrepender de suas escolhas? Você acha pecado não querer ter filhos? Assista este delicioso vídeo de Emanuelle Sales, criadora do blog Bonita Adventista, e reflita sobre este complexo assunto:

terça-feira, 20 de junho de 2017

Portugal em chamas - ADRA auxilia famílias afetadas

Com o apoio de membros da igreja, a agência humanitária adventista intensificou os esforços para auxiliar famílias portuguesas que perderam tudo no incêndio florestal que vem devastando a região central do país desde o fim de semana. Centenas de bombeiros e voluntários trabalham no combate ao incêndio, que é considerado o pior dos últimos 50 anos. De acordo com os últimos relatórios divulgados pelas autoridades locais, pelo menos 64 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas. Diante da tragédia, o país decretou três dias de luto.

Em nota, a liderança da igreja em Portugal manifestou solidariedade às famílias das vítimas e informou que tanto os membros da igreja quanto a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) estão trabalhando para amenizar o sofrimento dessas pessoas.

“Alguns dos nossos irmãos, além das autoridades oficiais, vizinhos e amigos, estão apoiando as famílias. Da mesma maneira, a ADRA está em ação, recolhendo meios e recursos para intervir”, informou a administração da igreja no país.

De acordo com o comunicado, várias famílias adventistas perderam casas, carros, estufas, documentos pessoais e outros pertences. A Clínica Adventista Vita Salus também teve que ser evacuada. Porém, até agora não há registro de nenhum adventista entre as vítimas fatais. 

[Revista Adventista / Com informações do site oficial da igreja em Portugal]

Como as redes sociais podem prejudicar a reputação da igreja

Observe estes dois textos escritos por Ellen G. White: 
“Caso o povo de Deus mostrasse genuíno interesse em seu próximo, muitos seriam alcançados pelas verdades especiais para este tempo. Coisa alguma dará, ou jamais poderá dar reputação à obra, como ajudar o povo indo ao seu encontro onde se acham.” (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 518) 
“Ele sacrificou sua nobre liberdade varonil e se tornou um servil escravo da opinião pública. [...] Convicto como estivesse do valor dos conselhos dados por Jeremias, não tinha a energia moral para obedecer; e como consequência avançou firmemente na direção errada.” (Profetas e Reis, p. 458) 
Essas duas citações estão em contextos diferentes, mas, de certa forma, tratam da mesma questão de fundo. A primeira diz respeito ao que efetivamente contribui para estabelecer uma boa reputação para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. A última se refere ao imprudente rei Zedequias, pouco antes do exílio babilônico, e à sua incapacidade de cumprir a vontade divina, preferindo satisfazer a opinião pública. 

Segundo especialistas, a reputação de uma organização está relacionada ao que se percebe a partir do comportamento da instituição ou de pessoas ligadas a ela. José Carlos Thomaz e Eliane Brito afirmam que “a reputação corporativa se desenvolve ao longo do tempo e é resultado de interações repetidas e de experiências acumuladas nos relacionamentos com a organização. [...] Considera-se, ainda, que a reputação corporativa emerge e é determinada pelas imagens principais ou percepções de uma empresa, comunicadas rotineiramente pela empresa e percebidas pelos seus vários públicos” (Comunicação Corporativa: Contribuição para a Reputação das Organizações”, Organicom – Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, ano 4, n. 7, p. 143).

Portanto, a forma pela qual a Igreja Adventista é vista depende do tipo de relacionamento que as pessoas interessadas têm com ela. Seja por meio de um contato nas redes sociais da denominação, uma visita a uma congregação ou mesmo por meio da convivência com um membro da igreja. Essa experiência vai compor a percepção que se tem sobre os adventistas e, em última instância, sua reputação. 

Nas redes sociais, pastores e membros contribuem, direta ou indiretamente, para tornar melhor ou pior essa reputação. E isso ocorre de acordo com o que postam ou compartilham. Em última instância, querendo ou não, todos os membros da igreja são representantes da denominação perante os públicos com os quais se relacionam. Por isso, alguns cuidados são válidos ao interagir nas redes sociais: 

Coerência. Ellen G. White ensina que a reputação da igreja está relacionada ao cumprimento da missão adventista. Na prática, isso significa que, quando um membro ou pastor posta algo nas redes sociais, deve ser consciente da necessidade de demonstrar claramente os princípios nos quais afirma acreditar. Desse modo, eles efetivamente pregam o evangelho. Em contrapartida, ao agir de forma preconceituosa, desrespeitosa, hostil ou condenatória, eles acabam depreciando a imagem do evangelho. A melhor forma de pregar nas redes sociais é exaltar as verdades das Escrituras, em vez de criticar os conceitos e ensinos divergentes da cosmovisão bíblica. 

Respeito. Alguém que procura uma congregação adventista geralmente o faz por entender que nela encontrará um ambiente acolhedor, amistoso e benéfico para sua vida. O visitante espera também contar com certa privacidade enquanto frequenta o local. Entretanto, a empolgação típica de nossos dias no mundo virtual faz com que, muitas vezes, o desejo de realizar a primeira postagem sobre a presença de alguém conhecido do grande público em uma programação da igreja gere incômodo à pessoa que só queria ir a um culto e nada mais. Fotos, vídeos e textos sobre tais visitantes precisam passar pelo crivo do bom senso, do respeito à imagem e do direito à privacidade. 

Críticas. Criticar uma organização para que ela corrija seus erros é algo muito importante. Contudo, essa atitude deve ser feita de maneira correta e no ambiente apropriado. A crítica pública, feita por pastores e membros nas redes sociais, pode parecer uma ótima contribuição, mas, efetivamente, não é. Geralmente, essa conduta alimenta raiva, promove discussões infindáveis e poucas vezes resulta em mudanças na organização. 

Quer ajudar a Igreja Adventista a ter uma boa reputação? Excelente! Então, seja um bom usuário das redes sociais. Pense antes de postar, avalie o tipo de mensagem que deseja compartilhar, que alcance isso terá e qual será o objetivo. Pese os prós e contras de sua manifestação pública, porque depois que algo é postado, é impossível anular suas consequências. E estas, muitas vezes, prejudicam a imagem da igreja da qual você e sua família fazem parte.

Felipe Lemos (via Revista Ministério)

Dia Mundial do Refugiado - O exílio dos inocentes

Como se não bastasse ter escapado do terror vivido pelos moradores de Mosul, no Iraque, devido à guerra, agora que perderam seus entes queridos, sonhos e bens, os meios de comunicação informaram que no dia 12 de junho, cerca de 800 refugiados do acampamento de Hassansham U2 foram envenenados com alimentos. Do total, 200 pessoas foram levadas aos hospitais mais próximos por sua gravidade.

A vida pavorosa de refugiado de hoje se torna mais difícil, muito mais no Oriente Médio, onde as temperaturas estão atingindo 40º, onde a falta de “tudo” torna o ambiente muito mais confuso e onde os moradores vivem com medo de que o terror volte a buscá-los, sem piedade, para deixá-los em calamidade total.

Milhares de crianças, mulheres, idosos – os mais vulneráveis – viajam quilômetros na esperança de chegar a algum acampamento das Nações Unidas e ser acolhidos. Em seus olhos, pode-se ver desespero, fome e medo. Muitos suplicam por um copo d’água, devido ao sol escaldante, ou por um pedaço de pão, depois de haverem percorrido muitos quilômetros a pé buscando refúgio entre bombas e tiroteios.

Há um vídeo que viralizou mostrando um menino sírio que há muito tempo estava sem comer e que, ao ser perguntado pelo jornalista sobre seu sonho, responde que é comer pão. Ele e sua família não se alimentavam havia dois dias. A próxima pergunta vem para ensinar os ocidentais a serem agradecidos com o que possuem. “O que vocês comeram?”, o jornalista pergunta ao menino.

Vem a resposta: “Comemos grama”.

Para as Nações Unidas, o mundo está sendo testemunha do maior número de deslocamentos de que se tem conhecimento. Um número sem precedentes, de 59,5 milhões de pessoas no mundo inteiro, se viu obrigado a abandonar suas casas. Entre elas, há quase 20 milhões de refugiados, dentre os quais, mais da metade são menores de 18 anos. Além disso, há mais de dez milhões de pessoas apátridas a quem foram negadas uma nacionalidade e o acesso a direitos fundamentais, como educação, saúde, trabalho e liberdade de ir e vir.

Gestos de amor
Antes, eu costumava perguntar: Até quando tanto sofrimento? Ou pedia a Deus que os protegesse da violência e da fome. Até que me dei conta de que, quando Jesus esteve na Terra, Ele não Se perguntava até quando. Em vez de abençoá-los com palavras ou de Se queixar do sofrimento humano ao Pai, mostrava-lhes quem era esse Pai a quem Ele respeitava e louvava. Um Pai cheio de amor e compaixão.
“Ser chamado de refugiado é o oposto de um insulto; é uma insígnia de força, valor e vitória.” (Serviço para Refugiados do Tennesse)
Jesus, o personagem que permanece através dos séculos, nos deixou uma grande lição de amor ao próximo: estender nossas mãos aos sofredores, como pontes de consolo e esperança. Não é por acaso que o segundo mandamento, o mais importante da Bíblia, é: 
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo." 
Quando beneficiamos alguém, demonstramos nosso amor pelo próprio Cristo.
“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes.” (Mateus 25:35)
Que linda oportunidade Deus nos dá para mostrar que assim como Sua misericórdia nos alcança dia após dia, esta se reflete em nós ao termos compaixão pelos sofredores.

Graças a Deus, há muitas formas de ser as mãos de Jesus. Uma dessas iniciativas é um projeto coordenado pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) e pela Adventist Help, localizado no leste da cidade de Mosul, no Iraque. Nesse lugar, que nos parece tão distante, há corações bondosos que se dispuseram a servir e pregar, não com palavras, mas com atos de amor, através de uma unidade médica emergencial que atenderá a mais de 100 mil refugiados. Atualmente, há necessidade de muita ajuda, visto que tudo foi adquirido por meio de doações. O chamado, em primeiro lugar, é para médicos, enfermeiros e paramédicos que desejam dedicar parte de seu tempo para aliviar a dor humana no Oriente Médio.

Não indo tão longe, até agora, a ADRA Argentina tem acolhido dezenas de refugiados e solicitantes de asilo no país, assim como tem feito a Igreja Adventista em São Paulo.

Talvez você não tenha possibilidade de viajar para outra região. Se esse for o seu caso, não se preocupe. Há milhares de formas de mostrar o verdadeiro amor divino àqueles que nos rodeiam, especialmente aos que passam por grandes necessidades.

Chegou o momento de fazer nossa parte: orar, colaborar com alguma doação ou ser voluntário. Beneficie a si mesmo. Preste ajuda a um refugiado.

E, em homenagem ao Dia Mundial do Refugiado, clique aqui e aqui e envie-lhes um presente de amor.

Carolyn Azo (via Desafios Espirituais)

A mãe de Malcolm X era adventista

Hiperativo, mulherengo, cafetão, traficante de drogas, viciado em cigarros e bebidas, violento, trapaceiro, ladrão... a lista é grande, mas pequena para descrever a vida de Malcolm X (1925-1965) antes de se converter ao Islamismo e se tornar, ao lado de Martin Luther King Jr., um dos maiores ativistas afro-americanos e uma das figuras mais polêmicas na luta pelos direitos dos negros.

Ao contrário de King, Malcolm acreditava que os fins justificavam os meios na luta desproporcional entre o poderio dominante dos brancos contra os negros. Sua adesão ao movimento radical negro islâmico chamado Nação Islâmica, e sua frustração com o modus operandi deste grupo e principalmente do seu líder, levou Malcolm a adotar métodos e ideias próprias que provocariam mais tarde sua morte cruel. Morreu diante da mulher e filhos enquanto fazia uma palestra.

Lendo a autobiografia do famoso militante afro-americano Malcolm X, encontrei uma referência muito carinhosa aos adventistas. Eis o texto:
Louise Little
“Mais ou menos nessa ocasião, minha mãe [Louise Little] começou a ser visitada por alguns Adventistas do Sétimo Dia, que haviam mudado para uma casa não muito longe da nossa. Conversavam com ela por horas a fio, deixavam folhetos e revistas para que minha mãe lesse. Ela lia, assim como Wilfred [irmão de Malcolm X], que voltara à escola, depois que passamos a receber comida gratuitamente do programa de ajuda aos indigentes. A cabeça de Wilfred estava sempre metida em algum livro.
Não demorou muito para que minha mãe começasse a passar cada vez mais tempo com os Adventistas. Estou convencido que ela foi influenciada por eles terem restrições alimentares ainda mais rigorosas do que as suas, que sempre defendera e nos impuseram. Com nós, os Adventistas eram contra comer coelhos e porco; adotavam as leis alimentares mosaicas. Não comiam a carne de qualquer animal que não tivesse o casco fendido ou não ruminasse.
Começamos a acompanhar nossa mãe às reuniões adventistas. Para nós, crianças, sei que a maior atração era a boa comida que serviam. Mas também ficávamos escutando. Havia um punhado de negros de pequenas cidades da região, mas acho que 99 por cento eram de brancos. Os adventistas achavam que estávamos vivendo ao final dos tempos, que o fim do mundo em breve chegaria. Mas eram os brancos mais amistosos que já tinha conhecido. Mas nós, crianças, percebíamos e discutíamos quando voltávamos para casa que eles eram diferentes de nós, em coisas como a falta de tempero suficiente na comida e no cheiro diferente dos brancos”. (Autobiografia de Malcolm X, pp. 28-29)
Falando da pressão que os assistentes sociais faziam sobre sua família, começaram a divulgar que sua mãe sofria de distúrbios mentais por recusar comer carne de porco oferecida por vizinhos.
“... Todos ouvimos quando chamaram mamãe de ‘louca’, por ter recusado uma boa carne. Não adiantou ela explicar que nunca havíamos comido carne de porco, que era contrário à sua religião, como adventista do sétimo dia.” (Idem, p. 29)
O que podemos aprender desta experiência?
1. O bom testemunho daquela família adventista impactou profundamente o jovem Malcolm.

2. Adventismo e racismo são coisas antagônicas. Felizmente, Malcolm conheceu adventistas realmente cristãos. [...]

3. Nosso estilo de vida é outra Bíblia escrita numa língua muito mais inteligível. Malcolm fala da amizade, do interesse dos adventistas por sua família, da comida sem tempero forte, da abstenção da carne de porco; menciona até o cheiro dos adventistas.

4. A receptividade no dia de sábado. Malcolm faz referência à dinâmica do culto sabático, mas principalmente à boa comida feita pelos adventistas. A gastronomia pode ser um bom método para atrair pessoas.

5. Escatologia. Malcolm ficou impressionado com a ênfase que os adventistas davam ao fim do mundo (volta de Jesus). Infelizmente, os temas escatológicos estão desaparecendo em algumas igrejas. É tanta novidade: novas músicas, novos programas, novos eventos, etc, que a Boa Nova da Volta de Jesus fica obscurecida.

6. Por fim, os atos de bondade desinteressados são muito mais eficazes para atrair pessoas do que nossos discursos formais.

Tantas perguntas e poucas respostas
O pai de Malcolm era batista, e era um tipo de evangelista itinerante e ativista. Fanáticos do movimento dos KKK (Ku Klux Klan), composto por cristãos fundamentalistas e racistas, mataram seu pai, e sua mãe perdeu a guarda dos filhos. Malcolm era um juvenil. Quando adolescente conheceu os adventistas, mas seu temperamento irrequieto e as circunstâncias que fugiram de seu controle fez com que entrasse num mundo fascinante e perigoso dos prazeres, crimes e drogas. Foi preso e condenado a dez anos, era agora um jovem cheio de perguntas e poucas respostas.

Se os cristãos estavam divididos sobre o tema racial, algo tão elementar do ponto de vista lógico, o que dizer de temas mais profundos. Foi ali, com a cabeça cheia de perguntas, que Malcolm conheceu as ideias da seita Nação Islâmica. Encontrou “respostas” que mudariam para sempre sua vida. Tornou-se um autodidata. Sua paixão pelas palavras o transformaria em um dos oradores mais cativantes da história dos Estados Unidos. O restante é História...

A história de Malcolm poderia ser diferente se ele tivesse continuado com sua mãe adventista? Não sabemos. Teria encontrado respostas para suas perguntas? Provavelmente sim, pois os adventistas americanos tinham herdados dos milleritas a retórica e a apologética. Ellen White, que viveu anos antes de Malcolm, já advertira aos pastores para não se concentrarem demais em debates. Menciono este fato para demonstrar que os adventistas eram bons nisso, tanto quanto os apologistas islâmicos. Entretanto, por ironia da vida, o Malcolm que falou tão bem dos adventistas, quando mais questionou sobre o significado da vida, não teve nenhum adventista por perto. E não poderia ter mesmo, pois estava na prisão. Naquela época havia muitos muçulmanos que cometiam delitos e eram presos. Ali recebiam apoio para fazerem adeptos. Como a quantidade de negros nas prisões sempre foi muito grande, o campo era muito fértil para as ideias dos negros muçulmanos que mesclavam religião com ativismo político.

Finalizo agradecendo a Deus por essa família adventista, que não sabemos o nome, por ter iluminado a vida da mãe do Malcolm. Dou asas à imaginação e posso ver quantas pessoas famosas já tiveram suas vidas iluminadas com as verdades do Evangelho Eterno. Infelizmente, nem todas aproveitaram esta solene oportunidade.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Entrevistas de Rodrigo Silva no programa Todo Seu (TV Gazeta)

Rodrigo Silva é doutor em Arqueologia pela USP (especialização realizada na Universidade Hebraica em Israel) e doutor em Teologia pela UNIFAI (mestrado realizado na FAJE). Além de apresentador do programa Evidências, da TV Novo Tempo, sobre arqueologia, o Dr. Rodrigo Silva hoje atua no Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho como professor do Ensino Superior e curador do Museu de Arqueologia Bíblica da instituição.

Assista às duas entrevistas (07/04 sobre Arqueologia Bíblica e 16/06 sobre a Existência de Jesus Cristo) do Dr. Rodrigo Silva no programa Todo Seu, da TV Gazeta, apresentado por Ronnie Von: