terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Dicas de como lidar com a falsidade humana

Os animais utilizam a camuflagem para se proteger dos seus predadores ou os predadores usam estratégias falsas para atacar as suas presas, como instinto de sobrevivência. Porém, a falsidade humana é utilizada de forma racional ou passional com objetivo de esconder atos enganosos, emoções fingidas e ações simuladas, a fim de manipular a verdade.

Hoje temos o avanço da falsidade humana, que pulsa no que é contrário à realidade. Se manifesta onde existe mentira, hipocrisia, fraude e adulteração. Conviver com a falsidade não é tarefa fácil, exige cautela – para identificar como funciona as suas engrenagens –, sobretudo, na família, no trabalho, na mídia e nas redes sociais, na política e na religião.

O ambiente de trabalho é o espaço que aprendemos a lidar com gente falsa e não gostamos das atitudes fingidas de certos colegas. Esse tipo de falsidade constrange a vida profissional e destrói reputações no local de trabalho. É preciso ter calma, pois quem não consegue conviver com os conflitos gerados pela falsidade acaba colocando em risco o seu emprego.

Na família, por ser uma situação delicada, no primeiro momento é não desacreditar o parente falso, porque ele poderá reverter os fatos e pôr a culpa em nós. O tempo se encarrega de colocar as coisas no seu devido lugar nas relações familiares, mas isso não significa que nunca possamos impor um limite nesse familiar.

Na mídia e nas redes sociais a falsidade reside na distribuição de fofocas, boatos e difamações, que ainda prejudica a cobertura da imprensa, tornando difícil cobrir as notícias sérias. Assim todo o cuidado é pouco, quando se trata de “fake news”, por isso é importante não compartilhar coisas que tenham um conteúdo sensacionalista ou manipulador.

A falsidade na política tem o caráter sórdido da demagogia, por suas acusações, trapaças e canalhices, todas relacionadas a esquemas de corrupção ou desvios de recursos públicos. É a mesma lógica das falsas religiões, que são especialistas em enganar as pessoas para ganhar dinheiro, em troca da cura das doenças e da prosperidade dos fiéis. Mas Jesus, há dois mil anos, nos alertava para ter precaução com esses “lobos vestidos com pele de cordeiro.”

Para o psicanalista Donald Winnicott a falsidade ocorre quando a pessoa se afasta da sua essência. É um indivíduo que não consegue se demonstrar vulnerável, criando um “ eu falso”, que acredita nas suas próprias mentiras. As pessoas com esse traço patológico criam pontos de vistas falsos da vida, que tentam iludir os demais com as suas necessidades, tornando qualquer relacionamento muito difícil.

Sendo assim, a cautela e a calma são ferramentas eficazes para lidar com a falsidade, como afirmou Bertholt Brecht: “Se se pretende dizer eficazmente a verdade sobre um mau estado de coisas, é preciso dizê-la de maneira que permita reconhecer as suas causas evitáveis. Uma vez reconhecidas as causas evitáveis, o mau estado de coisas pode ser combatido”.

Jackson César Buonocore (via Conti Outra)

Fique com algumas dicas que encontramos na Bíblia sobre a falsidade humana:
"Eu não ando na companhia de gente falsa e não vivo com hipócritas." (Salmos 26:4)
"A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói." (Provérbios 11:3)
"A testemunha sincera não engana, mas a falsa transborda em mentiras." (Provérbios 14:5)
"Mantém longe de mim a falsidade e a mentira." (Provérbios 30:8)
"Quem odeia disfarça as suas intenções com os lábios, mas no coração abriga a falsidade." (Provérbios 26:24)
Vejamos também o que Ellen G. White nos diz sobre esse assunto:
"A intenção de enganar é o que constitui a falsidade. Por um relance de olhos, por um movimento da mão, uma expressão do rosto, pode-se dizer falsidade tão eficazmente como por palavras. Todo o exagero intencional, toda a sugestão ou insinuação calculada a transmitir uma impressão errônea ou desproporcionada, mesmo a declaração de fatos feita de tal maneira que iluda, é falsidade." (Patriarcas e Profetas, p. 309)

"Engano, falsidade e infidelidade podem ser dissimulados e ocultos dos olhos humanos, mas não dos olhos de Deus. Os anjos de Deus que observam o desenvolvimento do caráter e pesam o valor moral, registram no livro do Céu essas pequeninas transações reveladoras do caráter." (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 508)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Você já quis ter asas e voar para longe?

Alguma vez você já se sentiu como Davi, querendo apenas criar asas e voar para longe?
"Então, disse eu: quem me dera asas como de pomba! Voaria e acharia pouso; Eis que fugiria para longe e ficaria no deserto." (Salmo 55:6-7)
Já houve vezes em que me senti assim. Eu queria poder crescer asas e voar para bem longe. Queria poder ter me mudado para uma cidade distante onde ninguém me conheceria, mudar meu nome e começar uma nova vida. Desejei poder escapar de problemas, de dores, de tristeza e de lidar com pessoas e apenas me esconder em uma cabana na floresta em algum canto.

Mas a verdade é que não há fuga da tristeza e da dor dessa vida. Já houve momentos em que a vontade era de desistir. Sentia vontade de abrir mão de minha fé em Jesus. Mas a cada vez que me sentia assim, a pergunta de Jesus a Pedro e a resposta de Pedro ressoavam em meus ouvidos: 
"À vista disso, muitos dos Seus discípulos O abandonaram e já não andavam com Ele. Então, perguntou Jesus aos doze: 'Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?' Respondeu-lhe Simão Pedro: 'Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus'.” (João 6:66-69)
Para onde mais eu iria? Jesus tem as palavras de vida eterna. E eu vim a saber que Ele é o Messias, o Salvador, o Caminho, a Verdade e a Vida. Para onde mais eu irei? De volta aos bares? De volta à minha vida de pecado? De volta ao mundo – aquele poço sem fundo que promete alegria, mas nunca cumpre? Vou para outra religião? Não posso fazer isso. Eu conheço a verdade. Para onde mais eu iria? Eu sei que Jesus é minha única esperança. Por maior que seja a dor do momento, eu sei que Ele é o meu único refúgio.

É fácil ter fé quando as coisas estão indo bem. É fácil louvar a Deus e ser grato quando tudo está indo conforme o esperado. Mas confiar e adorar em meio às aflições glorifica Deus muito mais. Quando sofremos, especialmente em meio a tragédias e dor intensa, podemos ter vontade de fazer o que a esposa de Jó sugeriu: “Amaldiçoa a Deus e morre”. Ou podemos responder como Jó: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle”.

Em meus quarenta anos de cristão, já vi crentes responderem à tragédia e a tempos difíceis das duas formas. Já vi alguns se tornarem amargurados, perderem sua fé e pararem de seguir Jesus, dizendo ‘como um Deus bom permitiria isso? Como um Deus de amor me deixaria passar por tal dor? Deus não respondeu minhas orações. Eu cri nEle, mas Ele não correspondeu’.

Mas também já vi crentes atravessarem horríveis tragédias e, apesar da tristeza inimaginável, apesar das lágrimas, ainda levantavam a voz para adorar Jesus e declarar que Ele é soberano, sábio, amoroso e bondoso. Quanta glória eles dão a Deus quando levantam suas mãos, mesmo que as lágrimas corram por seus rostos. Quanta honra ao Senhor! Eu mal posso esperar para ver o dia em que Jesus enxugará todas as lágrimas de seus olhos e o coroará com glória. E se um anjo perguntar “por que você não desistiu? Por que você continuou adorando e confiando nEle?” Eles irão responder “para onde mais eu iria? Jesus tem as palavras de vida eterna. Ele é o Santo de Deus, meu Senhor, meu Rei. Ele era minha única esperança”.

Para onde mais você vai?
Jesus é a fonte da vida. Qualquer outra “fonte” é um poço seco. Qualquer outro caminho é um beco sem saída. Deposite seu pesar aos pés dEle. Entregue suas reclamações a Ele. Faça suas perguntas a Ele. Pergunte por que você precisa passar pelo que está passando. E apesar de qualquer coisa, sempre diga “para onde eu iria, Jesus? Tu tens as palavras de vida eterna. Tu és minha única esperança”. Peça a Jesus por conforto e paz. Peça para que Ele leve sua tristeza. E peça por graça para adorá-Lo em meio às aflições. Não há para onde ir. 

Então se agarre Àquele cujos braços eternos estão te sustentando. Corra para Aquele que verdadeiramente conhece sua dor e deseja te confortar. Corra para Aquele que é seu refúgio e fortaleza, socorro bem presente na aflição. Corra para Aquele que tem as palavras de vida eterna.

Mark Altrogge | Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui
"Se educássemos nosso coração para ter mais fé, mais amor, maior paciência, mais perfeita confiança em nosso Pai celestial, teríamos mais paz e felicidade ao atravessar os conflitos da vida. O Senhor não Se agrada de que nos impacientemos e fiquemos angustiados, fora dos braços de Jesus. É Ele a única fonte de toda a graça, o cumprimento de toda promessa, a realização de toda bênção. ... Nossa peregrinação seria na verdade solitária, não fosse Jesus. 'Não vos deixarei órfãos' (João 14:18), diz-nos Ele. Acarinhemos Suas palavras, creiamos em Suas promessas, repitamo-las dia a dia e meditemos nelas nas horas da noite, e sejamos felizes. (Ellen G. White - Nossa Alta Vocação, 118 - Meditações Matinais, 1962)

domingo, 11 de fevereiro de 2018

O dia em que Satanás desejou voltar ao Céu

Depois que Satanás foi expulso do céu (como lemos em Ap 12:7-9), ele já havia recebido todas as oportunidades possíveis. Por isso, quando foi jogado para a Terra (Ap 12:12; Lc 10:18), o destino dele já estava selado, pois, ele escolheu assim.

Oportunidades não faltaram a Lúcifer. Podemos ter certeza disso. Afinal, a Bíblia ensina que “Deus é amor” (1 Jo 4:8, 16), que Ele tem “prazer na misericórdia” (Mq 7:19) e que o Criador é “[…] Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade”. Além disso, Ele se alegra em ver que o indivíduo, por mais perverso que seja, se converta e viva (Ez 18:23, 32). Ellen White esclarece que o tempo da graça para Satanás e seus anjos esgotou-se com a expulsão deles do Céu: 
"Deus, em Sua grande misericórdia, suportou longamente a Satanás. Este não foi imediatamente degradado de sua posição elevada, quando a princípio condescendeu com o espírito de descontentamento, nem mesmo quando começou a apresentar suas falsas pretensões diante dos anjos fiéis. Muito tempo foi ele conservado no Céu. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse." (O Grande Conflito, pp. 495-496)
“Não havia possibilidade de esperança de redenção para estes que haviam testemunhado e compartilhado da glória inexprimível do Céu, tinham visto a terrível majestade de Deus e, em face de toda esta glória, ainda se rebelaram contra Ele. Não haveria novas e maravilhosas exibições do exaltado poder de Deus que os pudessem impressionar tão profundamente como aquelas que já haviam testemunhado.” (No Deserto da Tentação, pp. 25 e 26)
Havendo perdido sua posição nas cortes celestiais, Satanás ainda solicitou para ser readmitido no Céu, mas Cristo lhe disse que isto seria impossível.
"Satanás agora observava os terríveis resultados de sua rebelião. Satanás estava espantado ante sua nova condição. Sua felicidade acabara. Olhava para os anjos que, com ele, outrora foram tão felizes, mas que tinham sido expulsos do Céu em sua companhia. Antes de sua queda nenhuma sombra de descontentamento tinha turbado sua perfeita alegria. Agora, tudo parecia mudado. As faces que tinham refletido a imagem de seu Criador estavam melancólicas e em desespero. Conflito, discórdia e ásperas recriminações existiam entre eles. Antes de sua rebelião, esses acontecimentos eram desconhecidos no Céu. Satanás agora observava os terríveis resultados de sua rebelião. Ele estremecia e temia encarar o futuro e contemplar o fim dessas coisas. Ele está sozinho, meditando sobre o passado, o presente e o futuro de seus planos. Sua poderosa estrutura vacila como numa tempestade.
Um anjo do Céu está passando. Ele o chama e suplica uma entrevista com Cristo. Isto lhe é concedido. Então, relata ao Filho de Deus que está arrependido de sua rebelião e deseja voltar ao favor divino. Está disposto a tomar o lugar que previamente Deus lhe designara e sujeitar-se a Seu sábio comando. Cristo chorou ante o infortúnio de Satanás, mas disse-lhe, como pensamento de Deus, que ele jamais poderia ser recebido no Céu. O Céu não devia ser colocado em perigo. Se fosse recebido de volta, todo o Céu seria manchado pelo pecado e rebelião originados com ele. As sementes da rebelião ainda estavam nele. Não tivera, em sua rebelião, nenhum motivo para seu procedimento, e arruinara irremediavelmente não só a si mesmo, mas a multidão de anjos, que teria sido feliz no Céu, tivesse ele permanecido firme. A lei de Deus podia condenar mas não podia perdoar.
Ele não se arrependeu de sua rebelião porque visse a bondade de Deus, da qual havia abusado. Não era possível que seu amor por Deus tivesse aumentado tanto desde a queda, que o levasse a uma alegre submissão e feliz obediência à Sua lei, por ele desprezada. A desgraça que experimentara em perder a doce luz do Céu, o senso de culpa que o oprimia, o desapontamento que sentiu em não ver realizadas suas esperanças, foram a causa de sua dor. Ser comandante fora do Céu era vastamente diferente de ser assim honrado no Céu. A perda que sofreu de todos os privilégios celestiais parecia demais para suportar. Desejava recuperá-los.
Esta grande mudança de posição não tinha aumentado seu amor por Deus, nem por Sua sábia e justa lei. Quando Satanás se tornou plenamente convencido de que não havia possibilidade de ser reintegrado no favor de Deus, manifestou sua maldade com aumentado ódio e feroz veemência.
Deus sabia que tão determinada rebelião não permaneceria inativa. Satanás inventaria meios para importunar os anjos celestiais e mostrar desdém por Sua autoridade. Como não podia ser admitido no interior dos portais celestes, aguardaria mesmo à entrada, para escarnecer dos anjos e procurar contender com eles ao passarem. Procuraria destruir a felicidade de Adão e Eva. Esforçar-se-ia por incitá-los à rebelião, sabendo que isto causaria tristeza no Céu." (História da Redenção, p. 24-27)
Deus nos dá as mesmas oportunidades para arrependimento e mudança de nossos conceitos religiosos equivocados que podem nos levar à perdição eterna. Iremos aproveitar as oportunidades que o Espírito Santo nos oferece todos os dias?
“Como diz o Espírito Santo: Se hoje vocês ouvirem a voz de Deus, não sejam teimosos...” (Hb 3:7, 8, NTLH)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Respeito é bom e Deus gosta

Vivemos uma época de total desrespeito pela autoridade, seja ela qual for. Filhos têm desrespeitado os pais. Alunos têm desrespeitado professores. Empregados têm desrespeitado patrões. Cidadãos têm desrespeitado seus governantes. O desrespeito tem ido muito além de apenas não acatar as decisões, ele se manifesta em ofensas, agressões, confrontos e, até, ameaças. É sempre bom lembrar que a rebelião contra a autoridade foi o que levou Satanás a ser expulso da presença de Deus e a ser condenado ao lago de fogo e enxofre por toda a eternidade. Insubmissão e desrespeito pelos superiores hierárquicos são consequência de arrogância, postura sobre a qual a Bíblia afirma: 
“Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniquidade.” (Sl 5:5)
Essa arrogância nada mais é do que sinal de que vivemos os últimos dias, como Paulo profetizou dois milênios atrás: 
“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (2Tm 3:1-5)
Nessa passagem há uma referência direta a um dos Dez Mandamentos, que fala do respeito e da obediência à autoridade paterna: 
“Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.” (Êx 20:12) 
O século 21 tem sido marcado por uma geração de filhos rebeldes, que destratam pai e mãe, não acatam suas determinações, se consideram independentes daqueles que os criaram. 
"Nestes últimos dias, os filhos se fazem notar tanto por sua desobediência e desrespeito, que Deus os tem observado especialmente, e isto constitui um sinal da proximidade do fim. É um indício de que Satanás tem completo domínio sobre a mente dos jovens. Por parte de muitos, já não há respeito para com a idade." (Testemunhos Seletos 1, p. 76)
Não é de se estranhar, portanto, que o desrespeito exercido no lar seja repetido em relação a outras autoridades – no trabalho, na igreja, na sociedade, na nova família. E isso é gravíssimo. Se você não tem honrado seu pai ou sua mãe, saiba que incorre em um pecado perigoso – a despeito de eles merecerem ou não o respeito; o mandamento não é condicional.

E aqui chegamos a um ponto essencial. Um dos grandes problemas de nossos dias se refere à ideia equivocada de que só devemos cumprir as ordens divinas “se”. Como assim? “Só vou respeitar meu marido se ele fizer isso e aquilo”; “Só respeitarei meu patrão se…”; “Só respeitarei o governante se…”. Mas a Bíblia não põe “se” nessa história. Devemos honrar pai e mãe independentemente de eles merecerem. As esposas devem se submeter ao marido independentemente de ele amá-las como Cristo amou a Igreja. Os empregados devem obedecer os patrões independentemente de eles serem gente fina. Os cidadãos devem ser respeitosos aos governantes independentemente de concordarem politicamente com suas decisões. O único “se” bíblico à autoridade é caso ela esteja obrigando você a fazer algo que contraria a vontade de Deus. Assim, não devem ser acatados arbítrios, por exemplo, de maridos que propõem práticas sexuais ilícitas, patrões que exigem de você atitudes fraudulentas ou desonestas no trabalho, leis que obrigam a fazer o contrário do que está nas Escrituras. A Lei de Deus sempre vem antes da lei dos homens, justamente porque sua autoridade é superior.

Mas nada justifica o desrespeito. Cristo demonstrou isso na prática. Repare que Jesus em momento algum de seu julgamento desrespeita Pilatos ou os mestres da lei e os sacerdotes. Esse é o xis da questão. Nossa postura deve ser sempre de muito respeito. [...] Você quer agir conforme a vontade de Deus, mas não está satisfeito com o governo? Então, o que você deve fazer é, primeiro, orar:
“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador.” (1Tm 2:1-3) 
Em seguida, pode fazer duas coisas: manifestar-se de forma pacífica e/ou expor seu protesto nas urnas, por meio do seu voto.
“O Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor. Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos.” (2Pe 2:9-12)
Repare que Pedro não coloca nenhum “se” ao que diz aqui. Parece que muitos cristãos que defendem (e/ou praticam) a agressão, a ofensa e o desrespeito à autoridade se esquecem de uma verdade universal: 
“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.” (Rm 13:1-7)
Meu irmão, minha irmã, a Bíblia é claríssima. O respeito à autoridade é um princípio que permeia as Escrituras desde Gênesis até Apocalipse. O conceito do respeito aos hierarquicamente superiores está presente o tempo todo na Palavra de Deus, da desobediência de Adão, no Éden, até o anjo que não permite que João se prostre diante de si. Outro princípio é o da paz, que é uma das virtudes do fruto do Espírito e é uma qualidade de pessoas que Jesus apontou como bem-aventuradas – prova de que devemos sempre buscar promover a paz. Por fim, o principio do amor ao próximo tem de estar presente em cada atitude nossa. Portanto, você sempre deve se perguntar, quando tiver alguma dúvida sobre seu posicionamento em relação a alguma autoridade: a forma como estou agindo condiz com os princípios do respeito, do amor e da paz? Se perceber que não, não é bíblico.
"Alguns de nossos irmãos têm escrito e dito muitas coisas que são interpretadas como contrárias ao Governo e à lei. Está errado expor-nos dessa maneira a um mal-entendido geral. Não é procedimento sábio criticar continuamente os atos dos governantes. A nós não nos compete atacar indivíduos nem instituições. Devemos exercer grande cuidado para não sermos tomados por oponentes das autoridades civis. Certo é que a nossa luta é intensiva, mas as nossas armas devem ser as contidas num simples 'Assim diz o Senhor'. Nossa ocupação consiste em preparar um povo para estar de pé no grande dia de Deus. Não devemos desviar-nos para procedimentos que provoquem polêmica, ou suscitem oposição nos que não são da nossa fé. Não é exigido de nós que desafiemos as autoridades." (Testemunhos Seletos 3, p. 45)
Discordar não é pecado. Manifestar insatisfação não é pecado. Mas isso deve ser feito com mansidão e honra – com qualquer um e em qualquer circunstância. O Sermão do Monte deixa isso extremamente evidente. Gostaria de lembrar que eu e você erramos em nossas ações todos os dias. Apesar disso, Deus não nos tratou como merecíamos, mas enviou Jesus para morrer pelos nossos erros.
"Deixemos inteiramente com Deus o assunto de condenar as autoridades e governos. Com humildade e amor, defendamos, como sentinelas fiéis, os princípios da verdade tal como é em Jesus." (Testemunhos Seletos 3, p. 48)
Que estendamos a todos a mesma graça que o Senhor manifestou a nós. Fora disso não há cristianismo.
"Se quisermos que os homens sejam convencidos de que a verdade que cremos santifica a alma e transforma o caráter, não estejamos continuamente sobre eles lançando veementes acusações. Se o fizermos, obrigá-los-emos a deduzirem que a doutrina que professamos não pode ser cristã, pois não nos torna bondosos, corteses e respeitosos. O cristianismo não se exterioriza em acusações violentas e condenação." (Testemunhos Seletos 3, p. 47-48)
Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

As inserções de textos de Ellen G. White foram feita pelo blog.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CARNAVAL: Quando DEUS diz NÃO, É NÃO!

Uma parte do Brasil dá a impressão de tentar fugir do estereótipo de país do Carnaval, mas, na prática, a festa continua mais popular do que nunca e com patrocínio público e privado que lhe dá longevidade. Nos últimos anos, a participação de entidades e igrejas cristãs parece ter aumentado nesse que se transformou em um negócio lucrativo para muitos. E qual é a posição bíblica a respeito do Carnaval? Há algum tipo de aprovação, da parte de Deus, para a realização e participação nessa festa? É importante ressaltar que aqui não entro no mérito sobre a atitude individual de cada pessoa em relação a isso. Até porque as pessoas são absolutamente livres para fazer o que desejam. Mas procuro motivar a uma reflexão rápida sobre a origem da festividade e sua relação com a Bíblia.

Antes de mencionar a Bíblia, é prudente compreender a história do Carnaval e o que hoje essa festa representa no Brasil. Segundo alguns sites de história, a origem do carnaval é desconhecida. Há os que atribuem a origem dessa festa aos cultos agrários realizados pelos povos primitivos, dez mil anos antes de Cristo, quando esses povos celebravam as boas colheitas com cânticos e danças. Outros atribuem às festas em homenagem a deusa Ísis e ao boi Ápis, no Egito antigo, ou ainda na Grécia e Roma antigas.

Segundo o Guia do Estudante da Abril, voltado, portanto, a quem estuda, “eram grandes festejos pagãos, cheios de comida e bebida, para comemorar colheitas e louvar divindades e ocorriam entre novembro e dezembro”. O site Brasil Escola, também referência para pesquisas, informa que “o carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Posteriormente, os gregos e romanos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornando-a intolerável aos olhos da Igreja”. Na edição de 2002, a revista Superinteressante divulgava que “só no século VII, na Grécia, o Carnaval foi oficializado como festejo à honra de Dionísio, deus do êxtase e do entusiasmo. A partir disso, os carnavais passaram a incluir orgias sexuais e etílicas – uma característica que chegou ilesa aos dias de hoje”. E a Igreja Católica, que inicialmente combatia os festejos carnais, acabou incorporando o feriado ao seu calendário oficial e o Carnaval passou a ter, de certa forma, um aval religioso também.

Conceito bíblico
Basta perceber, nos textos sobre a história do Carnaval, as palavras-chave mais usadas para se ter uma noção do conceito que caracteriza a festividade. Termos como pagão, orgia, bebidas e prazer dão uma ideia bem definida do que se trata, em essência, a festividade.

Na Bíblia, Deus não aprova práticas que desvirtuem o casamento ou a sexualidade. O sexo foi estabelecido no Éden quando Deus uniu homem e mulher como uma só carne e não deu margem para que fosse praticado de maneira despreocupada ou inconsequente. Pelo contrário. Em toda a trajetória do povo de Israel, o Senhor deixou claro que um dos segredos do êxito estaria em seguir os conselhos divinos e fugir do mau exemplo de nações vizinhas quanto à adoração de vários deuses e tudo que isso acarretava como orgias e bebedeiras. Aliás, a embriaguez que leva a uma dificuldade de racionalmente estar em contato com Deus, por causa da alteração fisiológica, também não tem a aprovação divina. Os episódios que envolveram Noé, Ló, o rei Elá e outros demonstram claramente que o uso de bebidas alcoólicas em excesso não teve bons resultados.

E eu pergunto: o Carnaval mudou muito desde suas origens pagãs romanas ou gregas? Provavelmente não, mas fica para cada um o critério de avaliar isso. Entre as grandes patrocinadoras da festa no Brasil, por exemplo, estão cervejarias e até mesmo o governo faz questão de incentivar muita festa e busca por prazer sensual desde que a pessoa use preservativos para evitar doenças venéreas ou AIDS. Ou seja, orgia, depravação sexual e embriaguez continuam sendo palavras-chave da festa dos tempos atuais.

Testemunho prejudicado
Diante disso, é preciso refletir sobre se há espaço para pessoas cristãs, que dizem seguir os ensinamentos bíblicos, nessa festa popular. O argumento comum de muitos cristãos que vão, até mesmo em blocos organizados, para esse tipo de evento é que estão ali para influenciar, para serem o sal da terra. Só devem refletir de uma maneira mais profunda para entender se o ambiente ali é propício para esse tipo de intenção. Pessoas dispostas a ter o máximo de prazer sensual e carnal, muitas delas entorpecidas pelo uso de substâncias que alteram seu estado normal de consciência, dificilmente conseguirão absorver qualquer tipo de mensagem bíblica que exige a capacidade racional em seu melhor desempenho.

Recordemos que Daniel, o humilde servo de Deus, não se atreveu a ingressar nas festas promovidas pelos monarcas babilônicos a fim de dar qualquer mensagem profética. Seu exemplo, como excelente profissional e fiel temente ao Senhor, falou muito mais alto e não o impediu de dar um testemunho. Mas você não lerá sobre Daniel misturado a uma festa pagã tentando mostrar os ensinos divinos.

O risco de que crianças, adolescentes e jovens participarem desse tipo de festividade precisa ser avaliado com seriedade. Qual é a influência desse ambiente na mente de quem, ou está em formação do caráter (crianças), ou vive conflitos e dramas pessoais, inclusive em relação a sua própria identidade (adolescentes e jovens)? É fundamental pensar sobre isso.

Conduzi-los a um terreno em que são abertamente realizadas práticas contrárias à Bíblia pode significar submetê-los a uma provação que poderia ser evitável. Vai causar a nítida ideia de que, afinal de contas, o pecado não é tão desagradável, visto tanta gente sorrindo. Ainda que, em essência, essa alegria seja passageira e motivada por uma alienação da realidade.

Fico com o conselho de Paulo, que em Romanos 12:1,2 diz “rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Pessoas que desejam ter uma vida cristã equilibrada deveriam, ao menos, pensar antes de estar em ambientes em que o enfoque é, predominantemente, dar vazão aos desejos. E como o nome da própria festividade sugere, desejos carnais.

Felipe Lemos (via Realidade em Foco)


Vídeo do prof. Leandro Quadros. Uma campanha no carnaval contra o assédio diz: "Não é não!" É justamente isso o que Deus quer para você: Não!

Vamos falar sobre... INVEJA

Entre todas as características existentes, a inveja é a mais ridícula, pois não se pode obter qualquer vantagem a partir dela. Um famoso e antigo ditado afirma: “Sempre que comparamos o que queremos com o que temos, ficamos infelizes. Em vez disso, compare o que você merece com o que tem e descobrirá a felicidade.” Não é tentar “manter-se à altura de alguém” o que nos causa tanto problema, e sim tentar ultrapassá-los. 

“A única competição digna de um sábio é a realizada contra si mesmo”, observou Washington Allston. Nada o distancia mais rapidamente de seus objetivos, do que tentar se manter à altura de quem já chegou lá. 

Se a inveja fosse uma doença, todos estariam contaminados. Francis Bacon afirmou: “A inveja não tem feriados nem tira folga.” A inveja que procura nos comparar a outros é tolice. “Quando eles se medem e se comparam consigo mesmos, agem sem entendimento” (2Co 10:12b) 

"Não julguem, para que vocês não sejam julgados" (Mt 7:1). A inveja é uma das formas mais sutis de se julgar os outros. Richard Evans pronunciou: "Que nunca deixemos as coisas que não podemos ter ou as que não temos, nos impedirem de usufruir as coisas que temos e as que podemos ter." O que nos faz ficar insatisfeitos com a nossa condição pessoal é a crença absurda de que os outros estão muito mais felizes do que nós. Thomas Fuller disse: “A comparação, mais do que a realidade, faz o homem feliz ou arrasado.” 

Hellen Keller diz: “Em vez de comparar nosso quinhão com os que são mais afortunados que nós, devemos compará-lo com o quinhão da grande maioria de nossos companheiros. Então parecerá que estamos entre os privilegiados.” A inveja não consome nada a não ser o coração do invejoso. É uma espécie de admiração por aqueles que você menos quer agradar. 

Crisóstomo refletiu: “Como a traça rói a roupa, assim também a inveja consome o homem.” A inveja fornece a lama que o fracasso atira no sucesso. Há muitos caminhos para uma vida malsucedida, mas a inveja é o mais curto de todos.
"A inveja não é meramente uma perversidade do gênio, mas uma indisposição que perturba todas as faculdades. Começou com Satanás. Ele desejou ser o primeiro no Céu e, como não alcançasse todo o poder e glória que buscava, rebelou-se contra o governo de Deus. Invejou nossos primeiros pais, tentando-os ao pecado, e assim os arruinou, e a todo o gênero humano.
O invejoso fecha os olhos às boas qualidades e nobres ações dos outros. Está sempre pronto a desprezar e representar falsamente aquilo que é excelente. Os homens muitas vezes confessam e abandonam outras faltas; do homem invejoso, porém, pouco se pode esperar. Visto como invejar a alguém é admitir que ele é superior, o orgulho não tolerará nenhuma concessão. Se for feita uma tentativa de convencer de seu pecado a pessoa invejosa, ela se torna ainda mais amarga contra o objeto de sua paixão, e muitas vezes permanece incurável.
O invejoso espalha veneno aonde quer que vá, separando amigos, e suscitando ódio e rebelião contra Deus e o homem. Procura ser considerado o melhor e o maior, não mediante heróicos e abnegados esforços por alcançar ele mesmo o alvo da excelência, mas sim ficando onde está e diminuindo o mérito dos outros."
(Ellen G. White - Testemunhos Seletos 2, p. 19)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O Diabo é real?

Há quem pense no diabo como um ser aterrador, vermelho com chifres, um longo rabo e patas de cavalo. Para muitos, a ideia de um diabo real é absurda. Entretanto, quando céticos presenciam fenômenos de possessão, e veem a transformação de natureza em pessoas possessas por um mau espírito, mudam de opinião quanto à existência do Diabo. Jesus Cristo, o Filho de Deus cria na existência do Diabo: "Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44).

A seguir, enumero algumas informações das Escrituras sobre o diabo:

(1) O Diabo é acusador e adversário. Diabo é tradução da palavra grega διάβολος (diábolos), que significa acusador, adversário. O Diabo é também identificado por “dragão”, “a antiga serpente”, e “Satanás” (Apocalipse 12:9).

(2) O Diabo foi homicida desde o princípio. Um de seus objetivos é destruir os seres humanos, e colocar a culpa em Deus. Quando Caim matou Abel certamente foi inspirado por Satanás – “não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou seu irmão..” (1 João 3:12).

(3) O Diabo é mentiroso e pai da mentira. O conceito de que “o diabo não é um ser pessoal” é uma das suas mentiras preferidas, pois assim pode mais facilmente enganar seres humanos. Satanás é muito astuto e ardiloso, na prática do engano. “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Coríntios 11:14).

(4) O Diabo peca desde o princípio. “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio” (1 João 3:8). Deus criou o Diabo? De maneira nenhuma!

(5) Deus criou Lúcifer, um anjo perfeito. Lúcifer, em latim, quer dizer “portador de luz”. Essa expressão vem de Isaías 14:12. Satanás era um “Luzeiro”, ou “estrela do dia”.[1] “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado..” (Ezequiel 28:15).

(6) Lúcifer foi um dos anjos mais honrados do Céu. “Tu eras querubim da guarda ungido e te estabeleci” (Ezequiel 28:14). Os querubins serviam diante de Deus. Mas como Lúcifer, um querubim perfeito e poderoso tornou-se Satanás, o inimigo de Deus? 

(7) Lúcifer se transformou no Diabo e Satanás, porque abrigou iniquidade. “…até que se achou iniquidade em ti” (Ezequiel 28:13). Aquele ser de extraordinária beleza e glória perverteu o seu livre arbítrio. Ao abrigar egoísmo, inveja, e cobiça Lúcifer transformou irreversivelmente sua natureza perfeita no temível Satanás.

(8) Satanás pretendia estabelecer um trono no Céu. “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte” (Isaías 14:13). Lúcifer trabalhou enganosamente de modo que inicialmente os anjos não perceberam seu verdadeiro caráter. Ezequiel 28:16 usa as palavras “multiplicação do teu comércio”. A figura de Lúcifer e a do rei de Tiro se confundem na profecia, pois, ao atuar com a sabedoria da serpente, este rei se tornou um símbolo de Lúcifer.

(9) Satanás foi expulso do Céu para a Terra. Assim como o êxito comercial do rei de Tiro levou à violência, o orgulho e a atividade persuasiva de Lúcifer em propagar seus enganos resultaram em uma guerra no Céu. ”Houve peleja no céu. Miguel e seus anjos pelejaram contra o dragão e seus anjos, todavia não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, sim, foi atirado para a terra, e com ele os seus anjos” (Apocalipse 12:7-9). Isaías declarou: “Como caíste do Céu ó estrela da alva” (Isaías 14:12). E Jesus afirmou: “eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lucas 10:18).

(10) Em sua rebelião, Satanás levou consigo a terça parte dos anjos do Céu. “A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou por terra…” (Apocalipse 12:4).[2]

(11) Por levar o homem ao pecado e rebelião contra Deus, Satanás reclamou o planeta Terra como sua propriedade. “E elevando-o, mostrou-lhe num momento, todos os reinos do mundo. Disse o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua” (Lucas 4:5-7). 

O Diabo é real! A boa notícia é que Jesus venceu o Diabo, e nós também podemos vencê-lo. “Eles pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Apocalipse 12:11). “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).

Wilson Borba (via Sola Scriptura)

[1] Frank B. Holbrook, Tratado de teologia adventista del séptimo día (Buenos Aires: Casa Editora Sudamericana, 2009), 1091.
[2] Estrelas em profecia representam anjos. “… as sete estrela são os anjos das sete igrejas..” (Apocalipse 1:20).
Ilustração: Rosalinda Celentano como Satanás no filme A Paixão de Cristo (2004)
"Foi-me então mostrado Satanás como havia sido: um anjo feliz e elevado. Em seguida, ele foi-me mostrado como se acha agora. Ainda tem formas régias. Suas feições ainda são nobres, pois é um anjo, ainda que decaído. Mas a expressão de seu rosto está cheia de ansiedade, cuidados, infelicidade, maldade, ódio, nocividade, engano e todo mal. Aquele semblante que fora tão nobre, notei-o particularmente. Sua fronte, logo acima dos olhos, começava a recuar. Vi que ele se havia degradado durante tanto tempo que toda boa qualidade se rebaixara, e todo mau traço se desenvolvera. Seu olhar era astuto e dissimulado, e mostrava grande penetração. Sua constituição era ampla; mas a carne lhe pendia frouxamente nas mãos e no rosto. Quando o vi, apoiava o queixo sobre a mão esquerda. Parecia estar em profundos pensamentos. Tinha um sorriso no rosto, o qual me fez tremer, tão cheio de maldade e dissimulação satânica era ele. Este sorriso é o que ele tem precisamente antes de segurar sua vítima; e, ao fixá-la em sua cilada, tal sorriso se torna horrível." (Ellen G. White - Primeiros Escritos, pp. 152-153)

Vamos falar sobre... celular na igreja



O que distrai você, destrói a sua adoração. Então, que tal deixar o seu celular no modo "adoração"?

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O que a igreja poderia aprender com as escolas de samba?

Seria lícito tomar o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria dirá que não. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas. Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão. 

Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural? Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo? Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias e os sacrifícios que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval. Porém, Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.

E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Podemos enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco?

Fantasias, Alegorias, Samba-enredo, Bateria
Destaco, em primeiro lugar, a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos e do samba-enredo. É notória sua busca pela perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho. 

Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade. Tomemos por exemplo as composições musicais. Basta ouvir algumas estrofes para perceber o trabalho de pesquisa que envolve a composição de um samba-enredo. Sem contar as rimas ricas, as melodias marcantes, e a ousadia criativa das baterias. Enquanto isso, composições que visam louvar a Deus estão cada vez mais pobres, tanto do ponto de vista melódico, quanto do ponto de vista lírico. 

Concentração
O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins. A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.

Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados e arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor. Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão ensimesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ver-se como um fim em si mesmo. A avenida nos espera!

Comissão de Frente
Encabeçando o desfile vai a comissão de frente, seguida pelo carro abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão. A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue às populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Escrevendo aos Coríntios, ele diz que sua missão era “anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2Co 10:16). Em bom português, o apóstolo dos gentios preferia pescar em alto mar, e não no aquário dos outros.

Harmonia e Evolução
A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa.

Mestre-sala e Porta-bandeira
No meio do desfile encontramos o casal formado pelo mestre-sala e pela porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas. É triste verificar como a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho. Entretanto, os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.

Momento da Dispersão
Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua Escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas. Mesmo assim, ninguém reclama. Todos exibem no rosto um sorriso de contentamento. 

Semelhantemente, todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:
“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda.” (2 Timóteo 4:6b-8)
Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.

Texto de Hermes C. Fernandes

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Familiares tóxicos: transtornos que podem causar

Talvez você se identifique com muitas das pessoas que tiveram de lidar com uma família tóxica porque os familiares tóxicos são mais comuns do que pensamos. E, às vezes, não somos conscientes de que estamos submergidos em uma delas. Esta é uma situação complicada, um tipo de toxicidade da qual não podemos escapar e que não podemos evitar. Mas, você sabia que, as famílias tóxicas podem gerar ou provocar transtornos mentais?

Hoje nos aprofundaremos um pouco em todas essas coisas.

Famílias tóxicas e os problemas mentais
A família é muito importante, já que é nela que as crianças se educam e começam a adquirir certas habilidades para se comunicar com os demais e lidar com o mundo. Por isso, não é difícil de acreditar que uma excessiva toxicidade pode provocar severos transtornos, se não houver equilíbrio e emoções saudáveis no ambiente familiar.

Existem muitos tipos de família, principalmente aquelas desestruturadas, com graves problemas de superproteção e outras circunstâncias que podem afetar às crianças; estas famílias fazem com que estes, amanhã, sofram com psicopatologias cuja origem são desconhecidas até hoje.

É por isso que abordaremos algumas das relações mais interessantes e reais entre famílias tóxicas e seus problemas mentais: Vamos a eles!

1. O efeito Pigmalião e sua influência nas crianças
O efeito pigmalião é o papel que as crianças adotam por influência dos pais, ou seja, tudo o que o pai deseja ou teme para seus filhos acaba se convertendo em realidade. Por isso, todo rótulo que colocamos em nossos filhos como “é preguiçoso”, “é mau caráter” pode provocar um grande impacto na criança no futuro.

A família não tem ideia do quanto as crianças se influenciam com isso. Não sabem que qualquer rótulo pode ser adotado posteriormente pelos pequenos. De alguma maneira contaminam sua conduta.

2. Amores que matam
Há uma frase que muitos pais ou famílias dizem a seus filhos: “ninguém vai amar você mais do que nós”. Se isso literalmente for levado ao pé da letra, pode causar, ainda que não se sintam muito queridos no seu ambiente familiar, não se sentirão no direito de reclamar, porque “eles fizeram isso para o meu bem”. O grande problema disso é que pode resultar em um grande silêncio ante situações extremas como maus tratos e abusos emocionais.

É importante saber que o amor da família pode não ser saudável e por isso devemos questioná-lo. A família não tem que ser boa só pelo fato de ser sua família: às vezes esta é muito tóxica.

3. Pais superprotetores
A superproteção pode ocasionar problemas como a dependência emocional e as crianças terão uma luta contínua na sua fase adulta. Por isso é importante manter um equilíbrio e nunca chegar ao limite da superproteção.

Quer um filho inseguro? Quer uma pessoa que não tenha confiança em si mesma? A superproteção é o que origina esses graves problemas emocionais dos quais não será fácil sair. Tudo o que acontece na nossa infância nos marca.

4. Desejos e inseguranças projetadas
Quantas vezes em uma briga de casal tem-se visto as crianças com medo? Apesar de não querer admitir, problemas conjugais, por vezes, nos afetam tanto que ignoramos que as crianças ou adolescentes estão chorando, isso realmente afeta a todos.

Além disso, muitas famílias sobrecarregam suas frustrações e inseguranças sobre eles, levando-os a ficar sob grande pressão, à qual não deveriam ter sido submetidos! Eles não são culpados pelos problemas dos mais velhos!

Todas essas situações familiares podem resultar em depressões, em transtornos da personalidade, em situações de dependência e muitas outras psicopatologias que ficam muito complicadas e duram por toda a vida adulta.

Você foi criado com familiares tóxicos ou tem uma família tóxica? Que problemas isso têm ocasionado a você? Não escolhemos a família, mas ao menos, podemos ser conscientes de como ela é, para evitar repetir a mesma história com nossos filhos.

Pensemos um pouco mais neles; nossos problemas não são maiores que os deles e nem estão à frente dos seus.

Texto original via Melhor com Saúde
"Deve-se procurar seja o lar tudo quanto está implícito nessa palavra. Deve ser um pequeno Céu na Terra, um lugar onde se cultivem as afeições em vez de serem estudadamente reprimidas. Nossa felicidade depende do cultivo do amor, da simpatia e da verdadeira cortesia de uns para com outros. Todo lar cristão deve ter regulamentos; e os pais, em palavras e comportamento de um para com o outro, devem dar aos filhos um exemplo precioso e vivo do que desejam que eles sejam. 
As crianças que recebem esta espécie de instrução, estarão aptas a ocupar lugares de responsabilidade e, por preceito e exemplo, estarão constantemente ajudando outros a procederem retamente. Aqueles cujas sensibilidades morais não foram entorpecidas, apreciarão os retos princípios; darão justo valor aos seus dotes naturais, e farão o melhor uso de suas faculdades físicas, mentais e morais. Tais almas são vigorosamente fortalecidas contra a tentação; estarão protegidas por um muro que não será facilmente derribado. 
Deus deseja que nossas famílias sejam símbolos da família do Céu. Conservem pais e filhos em mente este fato cada dia, mantendo entre si relações de membros da família de Deus. Então sua vida será de tal natureza que dará ao mundo uma lição objetiva do que podem ser famílias que amam a Deus e guardam os Seus mandamentos. Cristo será glorificado; Sua paz, graça e amor impregnarão o círculo da família como um precioso perfume. 
Todo lar deve ser um lugar de amor, um lugar onde os anjos de Deus habitem, operando com influência."
(Ellen G. White - O Lar Adventista, pp. 14-20)